Alemão relação cultura

Se você é um estudante e quer aprender alemão, se procura trabalho no seu ramo profissional na Alemanha, Suíça ou Áustria, ou é uma pessoa cujo trabalho implica uma relação estreita com empresas alemãs, o nosso curso é o ideal para si. É também uma ótima forma de conhecer as palavras mais básicas e as frases que são necessárias ... Os alemães e o ovo: uma relação de amor Eles são manuseados com copos e colheres especiais, são pintados e pendurados em árvores. Confira aqui uma visão geral sobre essa cultura. Rio . Alemão preso por filmar pornografia infantil aliciava vítimas com comida Além de alimentos para as vítimas em situação mais vulnerável, Klaus Berno Fischer pagava entre R$ 30 e R$ 50 ... Instituto cultural alemão oferece série de conteúdos gratuitos on-line para distrair durante o isolamento social. ... a relação com novas amizades e experiências como uma consulta médica e um passeio pela rua. ... Cultura e entretenimento on-line. 69). Há, para Tylor, uma uniformidade imanente à cultura, sempre derivada da relação simétrica e linear entre causa e efeito; assim tornando possível a constatação de graus ou estágios de evolução que se acomodam sob o conceito abstrato e mais abrangente de “Cultura”. Centro Moçambicano-Alemão dinamiza cultura em Maputo. Para além de ensinar a língua alemã, o novo Centro Cultural Moçambicano-Alemão vai também promover várias atividades. É o caso da ... Muitas vezes ao pensarmos na cultura da Alemanha. é normal que em um primeiro momento tenhamos a imagem mental de algo estereotipado: pessoas com as roupas típicas da Bavária, tomando cerveja e comendo salsicha, ou pessoas frias, sérias.. E claro, por aqui vemos esses estereótipos da Bavária, porém, é durante o carnaval ou na Oktoberfest. Mas a Alemanha é um país com uma diversidade ... Veja abaixo várias curiosidades sobre a cultura alemã, dados curiosos, costumes da cultura do povo alemão, religião e outras informações curiosas. Autobahn: estrada sem limite de velocidade na Alemanha . Curiosidades da Alemanha: - Os alemães adoram carne suína. A carne de porco é a mais popular do país e serve de base para diversos ... Para compreender a relação entre o Brasil e a Alemanha, teremos que voltar ao passado, o momento em que os imigrantes e os colonizadores alemães chegaram ao Brasil, em 1824, deixando aqui sua contribuição para a formação da cultura brasileira.O processo de colonização alemã no Brasil, foi muito mais característico no sul do Brasil devido ao quase 'isolamento' dos imigrantes alemães ...

Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro

2020.07.28 04:12 assis96 Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro

O Esperanto é uma língua artificial criada pelo médico oftamologista Lázaro Luiz Zamenhof e nascida no ano de 1887 pela publicação do livro "Internacia Lingvo". Zamenhof nasceu na cidade de Bialystok, atualmente na Polônia, mais especificamente próximo a fronteira onde hoje se encontra a Bielorrusia, Lituânia e Kaliningrado (território russo). Ele era judeu, seu pai era professor de alemão e francês, em razão do meio social e geográfico, desde pequeno conviveu com várias línguas: iídiche, russo, polonês, alemão, hebraico, francês. Lázaro tinha inclinação e facilidade em aprender línguas, cresceu em um ambiente onde problemas de comunicação, preconceito linguístico e étnico eram uma constante. Nesse contexto, sentiu-se impelido a buscar uma solução para esses conflitos por meio da criação de uma língua nova, neutra, fácil e democrática.
Apesar de eu não ser um falante do Esperanto, nem ter contacto com esperantistas, sei que há inúmeros estudos de conceituados linguistas que apresentam pontos tecnicamente favoráveis ao ensino e difusão do Esperanto como língua viável para ser adotada pela comunidade internacional. Se não fosse assim, ele não seria a língua planejada mais falada do mundo e a ONU nem teria recomendado em 1985 sua difusão entre seus países-membros. Esse artigo não visa apresentar a viabilidade do Esperanto do ponto de vista técnico linguístico, visa sim mostrar a possibilidade real da materialização do sonho esperantista no mundo tendo como base a História, a evolução da cultura ética-moral dos povos e a revelação espírita.
Antes de avançarmos na argumentação é preciso ter em conta que estou escrevendo em português, em uma rede social relativamente popular no mundo ocidental e em um canal de comunicação onde o inglês é dominante. Bem provável, os leitores desse artigo podem ser caracterizados como pessoas esquisitas (em inglês WEIRD, sigla em referência a pessoas western, educated, industrialized, rich and democratic) que não retratam a ampla realidade social do mundo. Inevitavelmente sou ocidental, tenho acesso a educação superior, estou integrado em uma sociedade industrializada e nativo brasileiro, apesar dos pesares, um país rico e ainda democrático. A verdade é que não conhecemos de fato o mundo todo, o que a gente pensa que sabe do mundo é muito pouco e extremamente deturpado do que realmente é o nosso planeta. Por mais que tenhamos acesso a internet e programas que falem como é a vida dos outros povos e países, não podemos dizer que sabemos com propriedade como é a vida e cultura dos outros povos e países. O mundo é bem mais complexo e diverso do que a gente imagina, são inúmeras religiões, tradições, línguas, climas, histórias, economias, políticas, filosofias, etc. Queremos refletir sobre uma língua que se aplique no mundo como um todo e não apenas no lado ocidental, para pessoas WEIRD.
Agora posso começar a explicar "Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro". Primeiro, vamos nos basear na História, hoje a língua internacional é o inglês, mas em outras épocas poderíamos considerar o latim e o grego. O paradigma materialista econômico aceito pela maioria dos homens permite a qualquer país ou nação que se tornar mais influente, mais forte e dominante, submeter as demais nações ao julgo de sua cultura e consequentemente de sua língua. É claro que o mundo nunca antes em sua História esteve tão globalizado e internacionalizado como nos dias de hoje, nesta singularidade dos nossos tempos são as nações de língua inglesa as detentoras de grande poder na política mundial, por isso o inglês está sendo a língua internacional mais forte e em melhor opção para se estabelecer em definitivo como língua global. Todavia, precisamos ampliar nossa visão de tempo e aprender com a História. Não podemos pensar no futuro considerando apenas os últimos 150 anos de glória das nações anglo-saxãs. Por mais que estes últimos 150 anos de nossa história sejam os mais intensos e impactantes no globo como um todo, o futuro ainda está em aberto, rapidamente pode ocorrer uma inusitada mudança de ordem política-econômica-cultural.
Se voltássemos no tempo há 2000 anos e discutíssemos sobre qual seria a língua internacional do futuro, um cidadão do império romano muito provavelmente não diria ser o Inglês. Quem visse o império romano de dois milênios atrás dificilmente poderia imaginar que hoje ele estaria em ruínas. Por que não poderíamos aplicar esse exemplo nos dias de hoje? Todos os impérios que passaram pelo planeta tiveram seu tempo de nascer, crescer, atingir um ápice, declinar e morrer. O império consolidado pelas línguas inglesas seriam uma exceção? Uma língua que se propõe a ser duradoura e "universal" deve se associar ao mundo das ideias primeiro antes do mundo físico. O mundo físico é transitório, efêmero, está em constante mudança. O mundo das ideias é imperecível, você pode matar um homem, mas não consegue matar uma ideia. Foi essa essência ideológica forte que fez o cristianismo se estabelecer hoje a religião com maior número de adeptos no mundo. Eu comparo os esperantistas de hoje como os cristãos do século II, 133 anos depois da morte de Jesus de Nazaré na cruz. No século II, poucas pessoas levavam o cristianismo a sério, ele era uma minoria, a maioria dos homens e nações de fama do século II não apostariam nas imensas proporções e desdobramentos que o cristianismo seria capaz de acarretar no futuro da humanidade. Por que hoje, no segundo século do nascimento do Esperanto poderíamos duvidar do potencial dessa nova ideologia?
Lembramos do cristianismo e agora para ilustrar o problema da evolução ética-moral da cultura dos povos, vamos pensar na cultura Islã. Não podemos pensar no mundo ignorando a cultura do islamismo, os muçulmanos são tão expressivos numericamente quanto os cristãos, há projeções estatísticas que indicam uma ultrapassagem do Islã ao cristianismo em número de adeptos até o fim deste século. O Islã tem preferência pelo idioma árabe, isso em virtude do Alcorão, seu livro sagrado, ter sido revelado pelo profeta Maomé em árabe e também pela beleza sonora de se ouvir a declamação dos textos contidos no Alcorão no idioma original. A cultura dos países de predomínio muçulmano também possui forte influência do idioma árabe. Muito dos valores morais dos países de predomínio do idioma inglês são bem diferentes e até mesmo antagônico aos valores morais da cultura árabe, sem falar dos recorrentes conflitos políticos entre as nações desses dois mundos linguísticos diferentes. Sabendo dessas hostilidades históricas, da expansão de ambas as culturas, como conciliar por parte dos muçulmanos a supremacia internacional do inglês ao árabe ou vice-versa?
A evolução ética-moral da cultura dos povos mostra que século após século o homem avança um pouco mais no desenvolvimento de suas leis, de seus costumes, de seus conhecimentos e culturas. A Declaração do Direito dos Homens é um exemplo, a valorização das mulheres e o combate ao preconceito racista outro exemplo de avanço da mentalidade humana. A evolução do conceito de Justiça é a alavanca ética-moral dos povos e com base nessa ideia o Esperanto ganha força e tem destino promissor. O Esperanto não é apenas uma língua planejada, o Esperanto representa uma filosofia, um modo de pensar, um estilo de vida que tem como objetivo principal não ter supremacia em relação a outras filosofias, línguas e estilos de vida, mas sim colaborar com a fraternidade entre os povos e nações do mundo todo por meio de uma comunicação em língua neutra. Muitos podem dizer que a língua Inglês, ou qualquer outra língua, também busca colaborar com a paz na Terra e fraternidade entre os homens, não duvido dessa intenção, mas há um problema intrínseco nessa boa intenção que fere o conceito de orgulho dos homens e quando o orgulho dos homens é ferido dificilmente há fraternidade. Todos nós temos orgulho, querendo ou não, não gostamos de nos sentir ou pensar que valemos menos do que os outros, na verdade os seres humanos não devem ser vistos como inferiores ou superiores uns aos outros, mas sim como seres únicos, como "fim em si mesmo" nos dizeres do filósofo Kant. Da mesma forma vejo as línguas, elas também expressam os indivíduos e povos, cada língua deve ser vista como um "fim em si mesmo". O Esperanto não fere a dignidade de nenhum povo justamente porque ele não está associado a nenhum povo ou país em específico, o Esperanto é mais despersonalizado, mais neutro do que qualquer outra língua, por isso poderia melhor colaborar com a fraternidade entre os homens.
Por fim, mas não menos importante, ressaltamos o caráter da revelação espírita em aprovação e consonância com a difusão do Esperanto. Sem pretensões, posso dizer que tenho um pouco mais de conhecimento de causa do Espiritismo, afinal nasci e cresci em família espírita e também sou bem integrado ao movimento espírita de minha cidade. Emmanuel, um dos principais espíritos responsáveis pela divulgação do Espiritismo no Brasil, juntamente com o médium Chico Xavier, em várias mensagens reforça o valor do Esperanto e incentiva seu estudo. Não só Emmanuel, mas vários outros espíritos nobres por meio de diversos médiuns respeitáveis dos mais variados lugares do mundo e em vários momentos diferentes desde o nascimento do Esperanto em 1887 são coerentes em acreditar no projeto esperantistas para solução dos problemas de comunicação entre os povos.
O Espiritismo defende a ideia da evolução moral e espiritual do planeta Terra, atualmente viveríamos em período de transição entre duas fases claramente distintas, de maneira geral, estaríamos saindo do estágio de mundo de provas e expiações (onde há predominância do mal sobre o bem) para o estágio de mundo de regeneração (onde o homem teria mais consciência da necessidade de viver a fraternidade). O Espiritismo diz que nesse terceiro milênio a humanidade estaria predestinada a viver a sua regeneração e, para tal período, os espíritos responsáveis pela condução deste processo já teriam definido e legitimado o Esperanto como a língua do estágio de regeneração. Mesmo havendo espíritas encarnados que não levem a sério o Esperanto, muitos inclusive gostariam que houvesse uma retratação por parte das instituições espíritas que defendem a difusão do Esperanto, a contragosto os espíritos desencarnados guias do Espiritismo continuam acreditando e convocando os homens ao ideal esperantistas de fraternidade. Em síntese, esses espíritos superiores dizem que não é conveniente para o período de regeneração da Terra a apropriação de um idioma (inglês, por exemplo) contaminado por impressões deletérias desagregadoras devido o seu uso em ações de domínio cultural, político e econômico. Esses guias da humanidade, mereceriam nossa consideração em razão de possuírem uma visão liberta da transitoriedade do mundo material, mais ampla e nítida da realidade dos fatos, diferente de nós, encarnados, que temos a visão embotada pelos preconceitos.
Enfim, diante do exposto, digo com tranquilidade, com segurança e esperança: O Esperanto será a língua internacional do futuro! Digo isso não porquê sou espírita e os espíritos também acreditarem nisso. Digo isso porquê vejo lógica e razão em acreditar nisso. Quando será esse futuro? Isso não sou capaz de precisar, mas arriscaria dizer que esse futuro seja daqui uns 200 anos, quem sabe? 200 anos na história da humanidade é logo ali.
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2020.06.28 13:53 AntonioMachado [2016] Domenico Losurdo - Stalin e Hitler: Irmãos Gémeos ou Inimigos Mortais?

Artigo: https://www.marxists.org/portugues/losurdo/2016/03/29.htm
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2020.04.24 18:19 HairlessButtcrack Cronologia do Covid-19

Boas malta fiz uma cronologia dos eventos nos estados unidos para entender como é que eles estiveram e quis comparar com a nossa. Decidi postar depois de ver este e este posts.
As conclusões não são boas, os media (americanos) dizem mal da inação do Trump mas nós tivemos uma sorte do Carvalho. Se em movimento de pessoas fossemos iguais a outros países os números eram muito piores, que se formos a olhar bem proporcionalmente em casos estamos ao nível dos estados unidos (mas com metade das mortes). A nossa primeira ação foi a meio de março.
(A minha cronologia certamente que não está completa e estou aberto a adicionar ou retirar coisas dadas fontes, Grande parte veio da Lusa/CM/JN outras coisas vieram da cronologia que fiz dos EUA)
Cronologia:
31 de dezembro de 2019 Organização Mundial de Saúde (OMS) revela haver mais de duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida detetados na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei.
1 de janeiro de 2020 É encerrado o mercado de peixe e carne de Wuhan que se pensa estar na origem da contaminação, dado que os doentes tinham todos ligação ao local.
4 de janeiro São 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida reportados pelas autoridades chinesas.
5 de janeiro A OMS relatou uma "pneumonia de causa desconhecida" em Wuhan, China. A OMS desaconselhou restrições de viagem ou comércio na época.
8 de janeiro O CDC (EUA) emitiu o primeiro alerta público sobre o coronavírus.
9 de janeiro A OMS emitiu uma declaração nomeando a doença como um novo coronavírus em Wuhan. A China publicou os dados genéticos do novo coronavírus.
10 de janeiro É registado o primeiro morto, um homem de 61 anos, frequentador do mercado de Wuhan. Oficialmente há 41 pessoas infetadas na China. As autoridades chinesas identificam o agente causador das pneumonias como um tipo novo de coronavírus, que foi isolado em sete doentes.
13 de janeiro Primeiro caso confirmado fora da China, na Tailândia.
14 de janeiro A OMS disse que não encontrou provas de transmissão de pessoa para pessoa. https://twitter.com/WHO/status/1217043229427761152 https://nypost.com/2020/03/20/who-haunted-by-old-tweet-saying-china-found-no-human-transmission-of-coronavirus/
O chefe da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, forneceu confidencialmente uma avaliação “sombria” da situação para as principais autoridades de saúde chinesas. O memorando relacionado afirmava que "a transmissão de humano para humano é possível". Uma investigação da AP News indicou que a denúncia de um caso na Tailândia levou à reunião, bem como o risco de se espalhar com o aumento das viagens durante o Ano Novo Chinês e várias considerações políticas. No entanto, o público chinês não é avisado até 20 de janeiro.
15 de janeiro Primeiro caso reportado no Japão do novo coronavírus, entretanto designado como 2019-nCoV. Primeira declaração das autoridades portuguesas sobre o novo coronavírus. A diretora-geral da Saúde estima, com base nas informações provenientes da China, que o surto estará contido e que uma eventual propagação em massa não é "uma hipótese no momento a ser equacionada".
20 de janeiro Autoridades confirmam que há transmissão entre seres humanos. (CM reporta isto mas não consigo confirmar em mais fonte nenhuma, a OMS só confirmou a 23 de Janeiro)
O secretário geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Keqiang, emitem o primeiro aviso público sobre o coronavírus aos cidadãos chineses. Uma investigação da AP News alegou que, de 14 a 20 de janeiro, as autoridades chinesas tomaram medidas confidenciais para mobilizar sua resposta à pandemia, mas não alertaram o público. Alertar o público seis dias antes podia ter evitado "o colapso do sistema médico de Wuhan", segundo um epidemiologista.
21 de janeiro Primeiro caso nos Estados Unidos, num doente em Washington regressado de Wuhan.
22 de janeiro Macau confirma o primeiro caso da doença, numa altura em que há mais de 440 infetados. Começa o isolamento da cidade de Wuhan ao mundo. Autoridades de saúde chinesas cancelam voos e saída de comboios. Portugal anuncia que acionou os dispositivos de saúde pública e tem três hospitais em alerta: São João (Porto), Curry Cabral e Estefânia (ambos Lisboa).
23 de janeiro OMS reúne comité de emergência na Suíça para avaliar se o surto constitui uma emergência de saúde pública internacional. Decide não a decretar. Autoridades chinesas proíbem entradas e saídas numa segunda cidade, Huanggan, a 70 km de Wuhan. As duas cidades têm em conjunto mais de 18 milhões de habitantes. Alguns aeroportos no mundo, como no Dubai, nos Estados Unidos e nalguns países africanos, começam a tomar precauções para lidar com o fluxo de turistas chineses que tiram férias no Ano Novo Lunar, que coincide com o surto.
24 de janeiro Confirmados em França os primeiros dois casos na Europa, ambos importados.
25 de janeiro Pequim suspende as viagens organizadas na China e ao estrangeiro. Austrália anuncia primeiro caso. Hong Kong declara estado de emergência. Primeiro caso suspeito em Portugal, mas as análises revelam que é negativo.
27 de janeiro O Centro Europeu de Controlo das Doenças pede aos estados-membros da União Europeia que adotem "medidas rigorosas e oportunas" para controlo do novo coronavírus.
28 de janeiro Mecanismo Europeu de Proteção Civil é ativado, a pedido de França, para repatriamento dos franceses em Wuhan. Confirmados dois casos, um na Alemanha e outro no Japão, de doentes que não estiveram na China, tendo sido infetados nos seus países por pessoas provenientes de Wuhan.
29 de janeiro Pelo menos 17 portugueses pedem para sair da China, quase todos na região de Wuhan. Finlândia confirma primeiro caso. Rússia encerra fronteira terrestre com a China. Estudo genético confirma que o novo coronavírus terá sido transmitido aos humanos através de um animal selvagem, ainda desconhecido, que foi infetado por morcegos.
30 de janeiro OMS declara surto como caso de emergência de saúde pública internacional, mas opõe-se a restrições de viagens e trocas comerciais.
31 de janeiro Estados Unidos decidem proibir a entrada de estrangeiros que tenham estado na China nos últimos 14 dias e impor quarentena a viajantes de qualquer nacionalidade provenientes da província de Hubei. Ministério da Saúde de Portugal anuncia que vai disponibilizar instalações onde os portugueses provenientes de Wuhan possam ficar em isolamento voluntário.
1 de fevereiro Austrália proíbe entrada no país a não residentes vindos da China.
2 de fevereiro Os 18 portugueses e as duas brasileiras retirados da cidade de Wuhan chegam a Lisboa e ficam em isolamento voluntário por 14 dias. Filipinas anunciam o primeiro caso mortal no país. É a primeira morte fora da China.
3 de fevereiro OMS anuncia que está a trabalhar com a Google para travar informações falsas sobre o novo coronavírus. O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que não havia necessidade de medidas que "interferissem desnecessariamente com viagens e comércio internacionais" para parar o coronavírus. Elogiou a resposta chinesa e referiu que a propagação do vírus é "mínima e lenta".
11 de fevereiro OMS decide dar oficialmente o nome de Covid-19 à infeção provocada pelo novo coronavírus.
13 de fevereiro Autoridades chinesas mudam a forma de contabilizar e assumir casos de infeção. Passam a contar não apenas os casos com confirmação laboratorial, mas também os que têm confirmação clínica apoiada por exames radiológicos.
14 de fevereiro Segunda morte confirmada fora da China, no Japão.
15 de fevereiro Um turista chinês de 80 anos morre em França. É a primeira morte registada na Europa - o primeiro europeu a morrer no seu continente acontece a 26 de fevereiro.
16 de fevereiro Terceira morte confirmada fora da China, num turista chinês que visitava França.
19 de fevereiro Dois primeiros casos revelados no Irão. No mesmo dia é anunciado que os dois morreram devido ao Covid-19.
20 de fevereiro Autoridades chinesas voltam a alterar a metodologia da contagem de infetados, uma decisão que se reflete numa descida acentuada no número de novos casos. Coreia do Sul regista a primeira morte. Suíça adia uma cimeira internacional sobre saúde devido à epidemia, na qual estaria presente o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ministros da Saúde.
21 de fevereiro Autoridades chinesas anunciam que surto está "sob controlo". Itália regista primeira vítima mortal, um italiano de 78 anos.
22 de fevereiro Irão fecha escolas, universidades e centros educativos em duas cidades. País confirma mais de 40 casos de infeção e oito mortes.
23 de fevereiro Autoridade japonesas confirmam que um português, Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao vírus da infeção Covid-19. Presidente da China, Xi Jiping, admite que o surto é a mais grave emergência de saúde no país desde a fundação do regime comunista, em 1949. Autoridades italianas ordenam suspensão dos festejos do Carnaval de Veneza. Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que epidemia coloca em risco a recuperação económica mundial e manifesta disponibilidade para ajudar financeiramente os países mais pobres e vulneráveis.
24 de fevereiro Comissão Europeia anuncia mobilização de 230 milhões de euros para apoiar a luta global contra o Covid-19. Diretor-geral da OMS avisa que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia", considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.
25 de fevereiro O português infetado a bordo de um navio de cruzeiros atracado no Japão é enviado para um hospital de referência local. O especialista que liderou a equipa da OMS enviada à China afirma que o mundo "simplesmente não está pronto" para enfrentar a epidemia.
26 de fevereiro Primeiro caso de contágio na América do Sul. É no Brasil, um homem de 61 anos, de São Paulo, regressado do norte de Itália. Vários países confirmam igualmente os primeiros casos: Grécia, Finlândia, Macedónia do Norte, Geórgia e Paquistão. OMS revela que o número de novos casos diários confirmados no resto do mundo ultrapassou pela primeira vez os registados na China.
27 de fevereiro Arábia Saudita suspende temporariamente a entrada de peregrinos que visitam a mesquita do profeta Maomé e os lugares sagrados do Islão em Meca e Medina, bem como turistas de países afetados pelo coronavírus. Segundo português hospitalizado no Japão "por indícios relacionados" com o Covid-19, também tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess. A DGS divulga orientações às empresas, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, e para portos e viajantes via marítima, que define que qualquer caso suspeito validado deve ser isolado e que apenas um elemento da tripulação deve contactar com o passageiro.
28 de fevereiro Primeiro caso confirmado na África subsariana, na Nigéria, depois de terem sido identificadas infeções no norte do continente, no Egito e na Argélia. Suíça proíbe pelo menos até 15 de março qualquer evento público ou privado que reúna mais de mil pessoas. Comissão Europeia solicita aos Estados-membros da UE que avaliem os impactos económicos do novo coronavírus. OMS aumenta para "muito elevado" o nível de ameaça do novo coronavírus. Responsáveis da Feira Internacional de Turismo de Berlim anunciam a suspensão do evento, considerado o maior do mundo, que se deveria realizar entre 4 e 8 de março. Governo português reforça em 20% o stock de medicamentos em todos os hospitais do país, além de estar a preparar um eventual reforço de recursos humanos.
29 de fevereiro Governo francês anuncia cancelamento de "todas as concentrações com mais de 5.000 pessoas" em espaços fechados e alguns eventos no exterior, como a meia-maratona de Paris. Primeira vítima mortal nos Estados Unidos da América.
1 de março Governo das Astúrias confirma primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na região espanhola, o escritor chileno Luis Sepúlveda, que esteve recentemente na Póvoa de Varzim, em Portugal. Macau com perdas históricas nas receitas do jogo em fevereiro, menos 87,8% em relação a igual período de 2019, num mês em que os casinos fecharam por 15 dias devido ao surto de Covid-19. Adriano Maranhão, primeiro português infetado no Japão, tem alta hospitalar.
2 de março Confirmados dois primeiros casos em Portugal Funcionários públicos em teletrabalho ou isolamento profilático sem perda de salário em Portugal, segundo um despacho do Governo. Governo português divulga um despacho a ordenar aos serviços públicos que elaborarem planos de contingência para o surto de Covid-19.
3 de março Primeira morte em Espanha. Itália confirma 79 mortes. Número de infetados em Portugal sobe para quatro. Mais de três mil mortos e de 91 mil infetados em todos os continentes, segundo dados da OMS. Os países mais afetados são China, Coreia do Sul, Irão e Itália. Hospitais São João e Santo António, no Porto, esgotaram capacidade de resposta a casos suspeitos, novas unidades são ativadas Comissão Nacional de Proteção Civil passa a funcionar em permanência, para fazer face ao novo coronavírus. Governo português dá cinco dias às empresas públicas para elaborarem planos de contingência. Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), que gere a política monetária do país, corta em 50 pontos base as taxas de juro, devido ao novo coronavírus. O presidente da Fed, Jerome Powell, considera inevitável que os efeitos do surto alastrem às economias mundiais e alterem o seu normal funcionamento "durante algum tempo". FMI e Banco Mundial anunciam que reuniões de abril, que se realizam anualmente em Washington, vão ser feitas à distância, em "formato virtual".
4 de março Itália, o país europeu mais afetado, fecha todas as escolas e universidades. Tinha então 3,089 infetados e 107 mortos. Número de infetados em Portugal sobre para seis. Em todo o mundo, há registo de mais de 3.100 mortos e de 93.100 infetados em 77 países de cinco continentes. Mais de 290 milhões de jovens sem aulas em todo o mundo, segundo a UNESCO. Os trabalhadores em quarentena em Portugal por determinação de autoridade de saúde vão receber integralmente o rendimento nos primeiros 14 dias, diz despacho do Diário da República. O primeiro-ministro português anuncia linha de crédito para apoio de tesouraria a empresas afetadas pelo impacto económico do surto do novo coronavírus, caso seja necessário, no valor inicial de 100 milhões de euros. Banco Mundial anuncia 12.000 milhões de dólares (cerca de 10.786 milhões de euros) para ajudar os países que enfrentam impactos económicos e de saúde. O setor dos serviços contraiu pela primeira vez na China desde que há registos. FMI diz que crescimento mundial será inferior em 2020 ao de 2019 devido ao impacto da epidemia do novo coronavírus, mas que é "difícil prever quanto". Surto diminuiu exportações mundiais em 50 mil milhões de dólares em fevereiro, segundo uma análise publicada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, suspende aulas por ter havido contactos com o quinto infetado.
5 de março Portugal com nove casos de infeção. O número de pessoas infetadas em todo o mundo aumenta para 97.510, das quais 3.346 morreram, em 85 países e territórios. A China é o país mais afetado (80.409 casos e 3.012 mortes); seguido pela Coreia do Sul (6.088 casos, 35 mortes), Itália (3.858 casos, 148 mortes) e Irão (3.513 casos, 107 mortes). Bolsa de Turismo de Lisboa adiada para 27 a 31 de maio Perdas das companhias aéreas mundiais podem chegar aos 113 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros), estima a associação internacional de transporte aéreo (IATA). TAP reduz 1.000 voos em março e abril devido a quebra nas reservas, suspende investimentos e avança com licenças sem vencimento. O Fundo Monetário Internacional disponibiliza 50 mil milhões de dólares (cerca de 46,7 mil milhões de euros) para combater o surto.
6 de março 13 casos infetados em Portugal. Número de casos no mundo ultrapassa os 100 mil, das quais 3.456 morreram, em 92 países e territórios. A China (sem as regiões administrativas de Macau e Hong Kong), o país onde a epidemia foi declarada no final de dezembro, soma 80.552 casos e 3.042 mortes. Preço do barril de Brent cai mais de 6%, para 47 dólares, devido à quebra da procura
7 de março Número de infeções em Portugal sobe para 21 Visitas a hospitais, lares e estabelecimentos prisionais da região Norte suspensas temporariamente. A ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, recomenda também o adiamento de eventos sociais. Uma escola de Idães, em Felgueiras, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e o edifício do curso de História da Universidade do Minho foram encerrados por serem instituições relacionadas com casos de pessoas infetadas em Portugal. Governo italiano proíbe as entradas e saídas da Lombardia e de outras 11 províncias próximas para limitar a disseminação do coronavírus, que já causou 233 mortes e 5.061 infetados em todo o país.
8 março Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa decide entrar em quarentena de 14 dias após receber em Belém uma turma de Felgueiras. Mais quatro casos em Portugal, número de infetados sobe para 25. Reino Unido anuncia um aumento de 64 novos casos, elevando-o a um total de 273 casos. Este país regista três mortos. EUA tem 564 infetados, os mortos são 21. Itália confirma 1.492 casos adicionais e 133 mortes. Números totais: 7.375 infetados e 366 mortos. O primeiro-ministro Giuseppe Conte estendeu o bloqueio de quarentena para cobrir toda a região da Lombardia e outras 14 províncias do norte do país. Registado o primeiro morto em África, que ocorre no Egito - um cidadão alemão hospitalizado a 1 de março e depois sofreu insuficiência respiratória causada por pneumonia aguda. DGS encerra escolas e suspende atividades de lazer e culturais nos concelhos de Lousada e Felgueiras por causa do acumular de casos.
9 março Alemanha regista as duas primeiras mortes no país. Infetados aumentam para 1.176. Universidades de Lisboa e Coimbra suspendem todas as aulas presenciais por duas semanas. Itália estende quarentena a todo o país, onde número de mortos atinge 463. Primeiros casos em Chipre significam que todos os países da União Europeia estão atingidos pelo novo coronavírus. Números da Espanha aumentam para 1.231 casos, com 30 mortes. Itália: 9.172 infetados e 463 mortos. França revela que os deputados Guillaume Vuilletet e Sylvie Tolmont estão infetados, havendo cinco deputados da Assembleia com Covid-19. Também foi confirmado que o ministro da Cultura, Franck Riester, havia testado positivo. O número de casos aumentou para 1.412.
10 março Câmara de Lisboa encerra museus, teatros municipais e suspende atividades desportivas em recintos fechados. Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) decreta fecho de museus, monumentos e palácios na sua dependência. Governo português suspende voos para todas as regiões de Itália por 14 dias. O primeiro-ministro italiano Conte estende o bloqueio de quarentena a toda a Itália, incluindo restrições de viagens e a proibição de reuniões públicas. Número de infetados sobe para 10.149, número de mortos é já 631. Portugal: 41 infetados
11 março Organização Mundial de Saúde passa a considerar o Covid-19 como uma pandemia, isto é um surto de doença com distribuição geográfica internacional muito alargada e simultânea. Itália anuncia que o jogador da Juventus Daniele Rugani, colega de Ronaldo, testa positivo para Covid-19. Total de infetados em Itália: 12.462. Total de mortos: 827. Portugal: 59 infetados. Turquia anuncia primeiro caso num homem regressado da Europa. Mais de mil médicos disponibilizam-se para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
12 março Portugal decide encerrar todos os estabelecimentos de ensino até ao final das férias da Páscoa a partir de 16 de março, encerramento de discotecas, restrições em restaurantes, centros comerciais, serviços públicos e proibição de desembarque de passageiros de cruzeiros. Portugal tem agora 78 pessoas infetadas e ainda zero mortes relacionadas com Covid-19. Estado de alerta declarado em todo o país, com proteção civil e forças e serviços de segurança em prontidão. Região Autónoma da Madeira suspende atracagem de navios de cruzeiro e impõe medição de temperatura a passageiros nos aeroportos. Governo dos Açores fecha escolas e museus, interdita cinemas e ginásios. Hospital de São João anuncia que uma das primeiras pessoas internadas em Portugal com Covid-19 se curou. Em apenas um dia, Itália regista 2651 novos infetados, elevando o número de doentes com Covid-19 para 15.113. Nas mesmas 24 horas, morreram 189 italianos. O total de mortos em Itália é agora 1.016.
13 março Europa toma o lugar da China como maior epicentro do coronavírus, diz a OMS, numa altura em que o crescimento de casos abranda no país oriental (China tem agora 80.815 infetados e 3.117 mortos) e acelera em Itália e no resto do continente europeu. Portugal: 112 infetados com o Covid-19. 61 países da África, Ásia, Europa, Oriente Médio, América do Norte e América do Sul anunciaram ou implementaram fecho total ou parcial de escolas e universidades. Trinta e nove países fecharam todas as escolas, afetando 421,4 milhões de crianças e jovens. Nesta altura são 11 os países que proíbem a entrada de voos de Portugal (e da Europa): Arábia Saudita, Argentina, El Salvador, EUA, Guatemala, Itália, Jordânia, Kuwait, Nepal, República Checa e Venezuela. Estados Unidos proíbem entrada de voos de passageiros vindos do espaço Schengen na Europa (26 países, incluindo obviamente Portugal) durante 30 dias. Venezuela, país de 32 milhões de habitantes, confirma os dois primeiros casos de infetados: uma pessoa vinda dos EUA e outra de Espanha. O país de Nicolas Maduro também proibiu voos vindos da Europa durante um mês. Eslováquia, Malta e República Checa fecham fronteiras com os países membros da EU. Governo permite a funcionários públicos ficar em casa em regime de teletrabalho sempre que funções o permitam. Madeira suspende voos provenientes da Dinamarca, França, Alemanha, Suíça e Espanha, países de transmissão ativa.
Presidente dos EUA, Donald Trump, declara estado de emergência nacional.
UEFA suspende todos os jogos sob a sua égide, incluindo Liga dos Campeões e Liga Europa. República Checa anuncia fecho total de fronteiras a partir de 16 de março.
14 março Número mundial de infetados: 150.054. Total de mortos: 5.617 Portugal: 169 infetados. Nas últimas 24 horas houve 57 novos casos. Não há ainda mortes em Portugal. Ministra da Saúde, Marta Temido, anuncia que Portugal entrou "numa fase de crescimento exponencial da epidemia", com 169 casos confirmados.
Açores e Madeira decidem quarentena obrigatória para todas as pessoas que cheguem às regiões autónomas. Governo de Espanha, onde há mais de 5.700 casos, impõe "medidas drásticas" no âmbito do estado de alerta, proíbe cidadãos de andar na rua, exceto para irem trabalhar, comprar comida ou à farmácia.
15 de março Número de casos em Portugal atinge 245, em todo mundo há quase 160.000 pessoas infetadas e já morreram mais de 6.000.
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convoca Conselho de Estado por videoconferência para 18 de março, para discutir a "eventual decisão de decretar o estado de emergência" em Portugal.
Sindicato Independente dos Médicos conta mais de 50 clínicos infetados e mais de 150 em quarentena.
Governo proíbe consumo de bebidas alcoólicas na via pública e eventos com mais de cem pessoas, apelando para que deslocações se limitem ao estritamente necessário.
Autoridade Marítima Nacional interdita atividades desportivas ou de lazer que juntem pessoas nas praias do continente, Madeira e Açores.
16 de março Portugal regista a primeira morte devido ao coronavírus. O número de infetados pelo novo coronavírus sobe para 331. Segundo a Direção-Geral da Saúde, há 2.908 casos suspeitos, dos quais 374 aguardam resultado laboratorial.
Governo português anuncia o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham de se deslocar por razões profissionais.
Portugal vai também intensificar o controlo sanitário nos aeroportos.
Macau decreta quarentena obrigatória de 14 dias para quem chegar ao território, com exceção da China continental, Taiwan e Hong Kong.
Assembleia da República dispensa funcionários inseridos em grupos de risco e promove o trabalho à distância e rotatividade.
17 de março O número de infetados sobe para 448.
É anunciado que o SNS foi reforçado com mais 1.800 médicos e 900 enfermeiros e que há 30 profissionais de saúde infetados, 18 dos quais médicos. E é também anunciado o nascimento do primeiro bebé filho de uma mulher infetada. O bebé não foi infetado.
O governo regional da Madeira anuncia o primeiro caso na região.
O município de Ovar fica sujeito a "quarentena geográfica" e o Governo declara o estado de calamidade pública para o concelho, que passa a ter entradas e saídas controladas. A circulação de pessoas nas ruas também é controlada.
António Costa anuncia a suspensão das ligações aéreas de fora e para fora da União Europeia.
A CP reduz em 350 as ligações diárias.
18 de março O Presidente da República decreta o estado de emergência por 15 dias, depois de ouvido o Conselho de Estado e de ter obtido o parecer positivo do Governo e da aprovação do decreto pela Assembleia da República.
O estado de emergência vigora até 02 de abril.
António Costa diz que "o país não para" e que o Governo tudo fará para manter a produção e distribuição de bens essenciais.
O estado de emergência contempla o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública. A desobediência é crime e pode levar à prisão.
No dia em que o Governo revela um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas de 3.000 milhões de euros, é também anunciado que as contribuições das empresas para a Segurança Social são reduzidas a um terço em março, abril e maio, e que as empresas vão ter uma moratória concedida pela banca no pagamento de capital e juros.
O número de infetados sobe para 642 e regista-se uma segunda morte. O Alentejo regista os primeiros dois casos.
19 de março O número de vítimas mortais sobe para três em Portugal, com os casos confirmados a ascenderem a 785. Graça Freitas anuncia que quem apresentar sintomas ligeiros ou moderados da doença é seguido a partir de casa.
O primeiro-ministro anuncia, após a reunião do Conselho de Ministros, as medidas e regras para cumprir o estado de emergência, incluindo o "isolamento obrigatório" para doentes com covid-19 ou que estejam sob vigilância. Os restantes cidadãos devem cumprir "o dever geral de recolhimento domiciliário". A regra é que os estabelecimentos com atendimento público devem encerrar e o teletrabalho é generalizado.
A proposta de lei do Governo com as medidas excecionais é de imediato promulgada pelo Presidente da República.
É também anunciado que o Governo criou um "gabinete de crise" para lidar com a pandemia e que suspendeu o pagamento da Taxa Social Única.
O governo dos Açores determina a suspensão das ligações aéreas da transportadora SATA entre todas as ilhas e a TAP anuncia que vai reduzir a operação até 19 de abril, prevendo cumprir 15 dos cerca de 90 destinos.
20 de março Com o país recolhido começam a destacar-se respostas da sociedade civil e das autarquias para fazer face à pandemia, anunciam-se ações de solidariedade para com os mais necessitados.
O Governo reúne-se em Conselho de Ministros para aprovar um conjunto de medidas de apoio social e económico para a população mais afetada. António Costa anuncia que é adiado para o segundo semestre o pagamento do IVA e do IRC, a prorrogação automática do subsídio de desemprego e do complemento solidário para idosos e do rendimento social de inserção.
É também anunciado que as celebrações religiosas, como funerais, e outros eventos que impliquem concentração de pessoas são proibidos, e que as autoridades de saúde ou de proteção civil podem decretar a requisição civil de bens ou serviços públicos se necessários para o combate à doença.
Portugal tem seis vítimas mortais e 1.020 casos confirmados.
21 de março O número de mortes sobe para 12, o dobro do dia anterior, e os infetados são 1.280.
Marta Temido estima que o pico de casos aconteça em meados de abril, e diz que Portugal vai adotar um novo modelo de tratamento de infetados, que passa pelo aumento do acompanhamento em casa. Graça Freitas estima que a taxa de letalidade é de cerca de 1%, mas avisa que pode mudar.
O Governo anuncia que vai prorrogar os prazos das inspeções automóveis e reduz os leilões nas lotas, criando uma linha de crédito até 20 milhões de euros para o setor da pesca.
Com o país em casa surgem as primeiras notícias de infeções em lares. Na Casa de Saúde da Idanha, em Belas, arredores de Lisboa, é anunciado que 10 utentes estão infetados. Um lar em Vila Nova de Famalicão fica sem funcionários depois de oito terem dado positivo ao covid-19.
O ministro dos Negócios Estrangeiros anuncia que a TAP prevê realizar voos para a Praia e Sal (Cabo Verde), Bissau (Guiné-Bissau) e São Tomé para transportar portugueses para casa.
22 de março O número de mortes associadas à covid-19 sobe para 14 e o de infetados para 1.600 (mais 320).
Num domingo de sol muitas pessoas saem à rua e na Póvoa de Varzim a polícia é chamada devido ao "desrespeito ao estado de emergência" (multidão a passear). Em Coimbra a PSP também é chamada por causa de um aglomerado na Mata Nacional do Choupal.
São detidas sete pessoas no país por crime de desobediência.
Os utentes do lar de Famalicão são transferidos para o Hospital Militar do Porto.
As autoridades iniciam o repatriamento de mais de 1.300 passageiros que chegam a Lisboa num navio de cruzeiro (entre eles estão 27 portugueses).
O Governo assina três despachos, que entram em vigor no dia seguinte, para garantir serviços essenciais de abastecimento de água e energia, recolha de lixo e funcionamento de transportes públicos.
O presidente da Associação Nacional de Freguesias, Jorge Veloso, pede que as pessoas das cidades e os emigrantes evitem ir para o interior.
23 de março Portugal tem 23 mortes e 2.600 infeções.
As queixas sobre a falta de equipamentos para quem mais necessita, como profissionais de saúde ou de segurança, começam a surgir. O Governo anuncia que o Estado vai comprar à China equipamentos de proteção e que espera quatro milhões de máscaras. Cinco polícias e dois técnicos sem funções policiais estão infetados numa esquadra de Vila Nova de Gaia.
O Governo cria uma linha de apoio de emergência de um milhão de euros para artistas e entidades culturais e reforça com 50 milhões de euros os acordos de cooperação com o setor social (responsável pelos lares de idosos ou centros de dia).
Uma residência para idosos na Maia, Porto, coloca em isolamento 46 idosos devido a casos de infeção.
24 de março O número de mortes sobe para 33 e o número de infeções passa a 2.362.
A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, anuncia a ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, no mesmo dia em que são já 27 as detenções por violação das regras do estado de emergência.
O Presidente da República admite que o pico da pandemia possa ocorrer depois de 14 de abril. No parlamento, o presidente e líder parlamentar do PSD abandona o plenário depois de uma discussão sobre o número excessivo de deputados na bancada social-democrata.
A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lança uma linha de financiamento de 1,5 milhões de euros para investigação e "implementação rápida" de respostas às necessidades do SNS.
Em Vila Real, o presidente da Câmara alerta para a existência de 20 utentes e funcionários de um lar infetados com covid-19.
O Rali de Portugal é adiado.
25 de março Portugal regista mais 10 mortes chegando às 43, quando são contabilizadas 2.995 infeções.
O secretário de Estado da Saúde diz que o sistema tem capacidade de fazer 8.600 testes diários. A questão de se fazer mais testes ou não divide opiniões.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil coloca em alerta laranja, o segundo mais grave, os distritos de Lisboa, Porto e Aveiro.
O ministro de Estado e das Finanças diz que o país "nunca esteve tão bem preparado" para enfrentar uma crise como a causada pelo vírus.(lol) O Banco de Portugal anuncia que é facilitada a concessão de crédito pessoal por parte dos bancos.
A Câmara de Melgaço implementa um cerco sanitário na aldeia de Parada do Monte, com 370 habitantes, após confirmação de três casos de infeção.
A ASAE diz que já fiscalizou 41 operadores económicos por causa de especulação de preços.
26 de março Há 3.544 infeções e morreram 60 pessoas.
Há doentes a ser tratados com medicamentos da malária e do ébola, ainda que sem certezas, diz Graça Freitas.
O Banco de Portugal estima que o Produto Interno Bruto caia este ano 3,7% num cenário base e 5,7% num cenário adverso, devido à pandemia. A taxa de desemprego deve subir acima dos 10%. No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa admite prolongar o estado de emergência reúne-se o Governo em Conselho de Ministros e aprova a suspensão até setembro do pagamento dos créditos à habitação e de créditos de empresas. Aprova também medidas excecionais de proteção dos postos de trabalho (como redução temporária de horário ou suspensão do contrato) e uma proposta de lei que prevê um regime de mora no pagamento das rendas, habilitando ainda o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana a conceder empréstimos a inquilinos.
Na Maia um lar de idosos infetado é evacuado, em Vila Real aumentam as infeções num lar de idosos, de 20 para 45.
É anunciado que quem aterrar nos Açores tem confinamento obrigatório de 14 dias.
27 de março No lar da Nossa Senhora das Dores, em Vila Real, são agora 88 os infetados, entre os quais 68 utentes.
Em Portugal o número de mortes chega a 76 e o número de infetados sobe para 4.268.
Graça Freitas diz agora que o pico da pandemia pode afinal ser só em maio.
António Costa anuncia a chegada a Portugal de milhares de equipamentos de proteção individual e o Laboratório Militar também anuncia que começou a fazer testes de diagnóstico. Outras entidades como o Instituto de Medicina Molecular também começam a fazer testes.
Mil e quinhentos enfermeiros voluntariam-se para reforçar o apoio à linha telefónica SNS24, segundo a bastonária da Ordem.
As forças de segurança detiveram, desde o início do estado de emergência, 64 pessoas por crime de desobediência, e mandaram encerrar 1.449 estabelecimentos. O balanço é do MAI, segundo o qual também foram impedidas de entrar em Portugal 850 pessoas e uma delas foi detida. A detida, viria a confirmar-se depois, estava infetada com covid-19.
No Algarve, quando se aproxima o período da Páscoa, que costuma encher os hotéis, a associação empresarial do setor diz que a hotelaria está praticamente encerrada.
28 de março O número de mortes ascende à centena e os infetados são 5.170. Marta Temido também diz que o pico da epidemia só deve acontecer no final de maio e que as medidas de contenção social estão a abrandar a curva de infeções.
O Presidente da República pede aos portugueses para que, no período da Páscoa, continuem a respeitar as regras de contenção. A PSP interpela todas as pessoas que atravessam a Ponte 25 de Abril, no sentido norte-sul, e são divulgadas imagens de grandes filas de carros, alguns deles, diz a PSP, em incumprimento do estado de emergência.
É publicada uma retificação do diploma inicial do "lay-off" simplificado, acautelando que nenhum trabalhador de empresas que recorram e esse apoio pode ser despedido.
O Governo anuncia que vai organizar uma operação de transporte aéreo para o regresso temporário a Portugal de professores portugueses que estão em Timor-Leste.
29 de março Portugal contabiliza 119 mortes e 5.962 casos de infeções p. O número de pessoas internadas nos cuidados intensivos é de 138 doentes, um aumento para o dobro em relação ao dia anterior.
As notícias sobre infeções em lares continuam, como em Foz Côa, Guarda, onde o lar tem 47 infetados num universo de 62 idosos, segundo o provedor.
Em Ovar, onde foi declarado o estado de calamidade pública, são cinco as mortes, uma delas uma jovem de 14 anos, diz o vice-presidente da Câmara.
Nos Açores, o concelho de Povoação, na ilha de S. Miguel, é também submetido a um cordão sanitário.
Surgem notícias, através de sindicatos, de que há pelo menos um guarda prisional infetado do estabelecimento de Custoias e de uma auxiliar de ação médica no hospital prisional de Caxias. O Governo diz que vai ponderar criteriosamente a recomendação das Nações Unidas para libertação imediata de alguns presos mais vulneráveis.
30 de março António Costa avisa que Portugal "vai entrar no mês mais crítico desta pandemia", no dia em que os números da DGS indicam que há 140 mortes e 6.408 infetados.
Segundo o primeiro-ministro, com ou sem estado de emergência vai ser preciso prolongar as medidas que têm sido adotadas. E, diz também, que na próxima semana pretende cobrir o país com despistes de covid-19 em lares.
O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirma que o número de profissionais de saúde infetados chegou aos 853, e Graça Freitas admite impor-se uma cerca sanitária na região do Porto, motivando fortes críticas.
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, diz que a segurança social recebeu 1.400 pedidos de empresas que pretendem aderir ao "lay-off" simplificado.
(Continua nos comentários)
O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, admite nacionalizações e diz que seria "um erro trágico" reagir com medidas de austeridade à crise provocada pela pandemia, defendendo antes o apoio ao crescimento da economia.
O Governo pede a abertura de "forma condicionada" das juntas de freguesia onde estão instalados postos dos CTT, lembrando que esses serviços garantem a entrega de pensões. A empresa anunciou que ia antecipar a emissão e pagamento de vales em dois dias úteis.
Marcelo Rebelo de Sousa diz que se impõe manter as medidas de contenção que vigoram em Portugal.
A TAP avança para um processo de "lay-off" para 90% dos trabalhadores.
O governo dos Açores prolonga a situação de contingência no arquipélago até 30 de abril.
(Limite de Caracteres continua nos Comentários)
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2019.11.18 03:48 maquinary Os sobrenomes Sanchez e Álvarez são comuns em alguma região do Brasil?

Não estou perguntando se existe, mas se é comum como "Alves" ou "Pereira".
É porque eu estava lendo o livro Artemis, de Andy Weir, e tem um momento que é citada uma empresa brasileira e os membros dessa empresa que foram citados têm os sobrenomes "Sanchez" e "Álvarez". Uma informação: isso não é regra, mas basicamente, algumas (e até categorias inteiras de trabalho) são dominados por uma única nacionalidade, não entrarei mais em detalhes para evitar spoilers.
Pra mim "Sanchez" é demasiadamente hispânico¹; "Álvarez" também, mas como temos "Pedro Álvares Cabral" e "Álvares de Azevedo", não é nem tanto, mas mesmo assim me causa um estranhamento.
Quando li esses sobrenomes tive aquela sensação chata quando o estrangeiro comete um erro grosseiro em relação a sua cultura. Até mesmo um sobrenome italiano ou alemão não me incomodaria tanto.
.
Falo "hispânico" no sentido de uma coisa ou pessoa descendente de espanhóis ou latino americanos falantes de espanhol.
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2019.11.06 06:33 bicto O que é o liberalismo?


O que é o liberalismo?
O que é o liberalismo? Em que medida é possível encontrar características constantes num movimento de ideias e de iniciativas práticas que se desenvolve no curso de três séculos e frequentemente apresenta, na mesma época, tendências bastante diversas?
Merquior se propõe essa questão inicial e lhe dá uma resposta afirmativa. O liberalismo não é uma expressão oca mas, dentro de suas variações de época e de escolas, mantém-se, embora em proporções diferenciadas, fiel à sustentação de quatro liberdades fundamentais. São elas: (1) liberdade (negativa) de não sofrer interferências arbitrárias; (2) liberdade (positiva) de participar nos assuntos públicos; (3) liberdade (interior) de consciência e crenças e (4) liberdade (pessoal) para o autodesenvolvimento de cada indivíduo.Essas quatro liberdades constarão sempre, ainda que em doses diferentes e, algumas vezes, de forma mais implícita do que explícita, do elenco histórico do pensamento liberal. Este, visto no seu conjunto, do século XVIII aos nossos dias, apresenta diferenciações, basicamente em função das características de cada época, no que diz respeito à maior ou menor ênfase dada a cada uma dessas quatro liberdades e no que se refere ao relacionamento entre o indivíduo, a sociedade e o Estado. Por outro lado, o pensamento liberal, também contemplado no seu conjunto, reflete as tendências predominantes nas culturas nacionais em que se desenvolve.
No que tange ao desenvolvimento histórico do liberalismo, Merquior identifica, inicialmente, um protoliberalismo, que mergulha suas raízes mais remotas na defesa medieval dos direitos e no humanismo do Renascimento.Poderia ter se referido à emergência da liberdade interior, com Sócrates e Platão, e dos direitos universais do homem, com os estoicos. Em seguida, Merquior diferencia seis principais correntes no liberalismo: o liberalismo clássico, o conservador, o novo liberalismo, o neoliberalismo, o neocontratualismo e o liberalismo sociológico.
No que concerne às escolas do pensamento liberal, influenciadas pelas características das principais culturas nacionais em que se desenvolveu, Merquior distingue três linhas. A escola inglesa, de Hobbes e Locke a Bentham e Mill, para a qual a liberdade é principalmente a independência pessoal. A escola francesa, a partir de Rousseau, para a qual a liberdade é, fundamentalmente, autogoverno. E a escola alemã que, com base em Humboldt, encontra a essência da liberdade na autorrealização pessoal.
Raízes do liberalismo
Em última análise, segundo Merquior, o cristianismo, de um modo geral e, particularmente, a Reforma e a Revolução Francesa, constituem os fundamentos a partir dos quais se desenvolve o liberalismo.
As raízes mais remotas do liberalismo podem ser encontradas no pensamento medieval, com Marcilio de Padua (1275-1343) e seu Defensor Pacis (1324) introduzindo o requisito de consentimento dos governados, para a legitimidade dos governos. Ockham (1300-1349), Francisco Suárez (1548-1617), Hugo Grotius (1583-1645) e Johann Althusius (m. 1638) são importantes precursores de muitos dos aspectos do liberalismo. Modernamente, deve-se a John Locke, com seu Second Treatise on Government (1659) a implantação das bases do pensamento liberal.
Merquior reconhece, entre os antecedentes remotos, a influência do conciliarismo eclesiástico na configuração do pensamento constitucionalista. Faltou-lhe referir, como precedentemente mencionado, o legado grego em matéria de liberdade interior, um dos fundamentos do pensamento liberal e, por outro lado, o mesmo legado grego na construção da democracia, como regime político. Haveria que acrescentar a relevante contribuição dos estoicos, precedendo o cristianismo no entendimento da dignidade universal do homem, independentemente de sua cidadania e condição social.
Sem embargo de suas raízes remotas, o liberalismo, como movimento de ideias e de práticas societais, procede da Ilustração. Esta, em última análise, levantou a problemática fundamental da relação homem-sociedade-Estado, que é, por um lado, a exigência da liberdade, tanto negativa, no sentido de não coerção, quanto positiva, no sentido da participação pública. Por outro lado, a exigência da racionalidade pública, opondo-se às modalidades populistas e clientelistas da democracia. O século XVIII oscilou, por isso, entre os direitos públicos da cidadania, enfatizados pela Revolução Francesa, e as exigências de racionalidade pública, enfatizadas pelo chamado “despotismo esclarecido” – de Frederico, o Grande ou do Marquês de Pombal – que, não tendo sido efetivamente despótico, mereceria a denominação de autoritarismo esclarecido.
Liberalismo clássico – 1780-1860
O liberalismo clássico é uma reflexão sobre as condições de formação e de legitimidade do Estado e uma defesa das liberdades negativa e positiva, ante o governo e no âmbito do Estado. Hobbes sustenta que a preservação da incolumidade das pessoas e de seus direitos básicos conduz à delegação de todo o poder ao príncipe, como administrador desses valores. Locke contrapõe, no contrato social básico, a exigência do consentimento dos governados, como condição de legitimidade do poder.
Os whigs, primeiro partido organizado de tendência liberal, incorporam as exigências de consentimento, de Locke, moderando-as com algo de Hobbes, na preservação da autoridade do príncipe.
O liberalismo clássico produzirá um brilhante elenco de pensadores: Benjamin Constant e Alexis de Tocqueville, na França; John Stuart Mill, na Inglaterra; Giuseppe Mazzini, na Itália; Alexander Herzen, na Rússia. Locke, moderadamente influente na Glorious Revolution, será decisivamente influente na formação do pensamento liberal da Independência americana.

Liberalismo conservador
Os excessos da Revolução Francesa, quer no populismo de Marat e Danton, quer no jacobismo de Robespierre e do Terror, culminando no imperialismo autoritário de Napoleão, levam o pensamento liberal de fins do século XVIII e primeira metade do XIX a uma reação conservadora. É preciso proteger a sociedade das oscilações entre um populismo irresponsável e um dogmatismo repressivo. Edmund Burke (1729-1797), com sua crítica da Revolução Francesa dá o tom do liberalismo conservador. Será seguido, na Inglaterra, por Thomas Macaulay (1800-1859), John Dalberg, barão Acton (1834-1902), Walter Bagehot (1826-1877), o grande editor do Economist desde 1861 até seu falecimento, e pelo evolucionismo social-darwinista de Herbert Spencer (1820-1903). Na França, o liberalismo conservador será introduzido por François-René de Chateaubriand (1768-1848). O liberalismo francês de tendência conservadora distinguirá, na grande revolução, seu momento positivo, 1789, do negativo, 1793. Com variantes vinculadas às vicissitudes políticas da França, são inseríveis na categoria do liberalismo conservador personalidades como Michelet (1798-1874), que apoiará o Segundo Império, Rémusat (1797-1875), que apoiará Thiers, mas manterá sua preferência por uma monarquia constitucional, Edgard Quinet (1803-1875), que sustentará um liberalismo sem reivindicações de classe, e Ernest Renan (1823-1892), que defenderá um liberalismo não democrático.
O quarto capítulo de O Liberalismo – Antigo e Moderno, que aborda o liberalismo conservador, inclui uma seção tratando de uma particular vertente desse liberalismo, sob a denominação de liberalismo de construção nacional, analisando a obra e as atividades públicas de dois eminentes pensadores argentinos: Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) e Juan Bautista Alberdi (1810-1884).
Sarmiento, herdeiro das preocupações da Ilustração, no tocante à compatibilização entre as liberdades negativas e positivas do cidadão e o imperativo de racionalidade pública, mostra como a condição dessa compatibilização é a universalização da educação popular, através da escola pública. Em seu clássico, Facundo, Civilización y Barbarie (1845) coloca-se decisivamente a favor daquela, contra o caudilhismo rural. Alberdi se defronta com uma Argentina invadida por imensas ondas migratórias e se preocupa em salvaguardar a nacionalidade, denegando direitos políticos aos imigrantes. Natalio Botana, citado por Merquior, define Alberdi como o Edmund Burke da imigração europeia. Sua proposta é a de uma modernização conservadora, que favorece a industrialização e o progresso, em condições que protejam a república da irracionalidade das massas e da desnacionalização dos imigrantes.
Constitui uma valiosa inovação, por parte de Merquior, ter superado o preconceito de restringir a discussão das grandes ideias públicas, ao universo euro-norte-americano, introduzindo, em sua grande obra, uma fina análise de Sarmiento e Alberdi. É de lamentar-se, por outro lado, que essa lúcida e despreconceituosa abertura não tenha incluído referências fundamentais ao liberalismo mexicano, com Benito Juárez e o liberalismo conservador-progressista de Porfirio Díaz, não tenha contemplado o liberalismo brasileiro, de Antonio Carlos de Andrade a Ruy Barbosa, nem o pensamento e a atuação chilenos, no extraordinário esforço de nation-building de Diego Portales.
O estudo do liberalismo conservador de Merquior se encerra com uma análise do pensamento alemão, vinculado à ideia do Rechtsstaat, incluindo uma penetrante discussão de Max Weber. A essa análise se seguem outras duas, abordando o pensamento de Benedetto Croce na Itália e de José Ortega y Gasset, na Espanha.
O pensamento alemão é pautado por duas grandes linhas; o conceito de Wilhelm von Humboldt sobre os limites do Estado, visto como “guarda noturno” das liberdades cívicas e o conceito de Kant sobre a autocultivação, como supremo objetivo da pessoa, requerendo apropriada tutela do Estado.
Avulta, nesse pensamento, a figura de Max Weber (1864-1920), que combina, admiravelmente, a tradição historicista germânica com as exigências, tingidas de positivismo, de uma sociologia científica. Dentro dessa perspectiva, Weber se dá conta de que o processo de modernização consiste numa expansão da racionalidade instrumental, cujo agente social é a burocracia. As sociedades modernas se defrontam, assim, com um duplo perigo: o despotismo burocrático e, na contestação a este, o do autoritarismo carismático. Para superar esse duplo risco Weber enfatiza a necessidade do parlamentarismo como forma democrático-racional de seleção de lideranças políticas.
Benedetto Croce (1866-1952) é outra figura eminente analisada por Merquior. Croce, a partir de um profundo historicismo (que resgata a figura de Giambattista Vico) sustenta um liberalismo como exigência moral, em oposição ao liberalismo econômico do utilitarismo. A grande contribuição de Croce foi a identificação, no processo histórico, de um crescimento cumulativo, embora não linear nem ininterrupto, da liberdade. Esse compromisso com a liberdade, como exigência moral, mas também como tendência evolutiva da história, levou Croce a uma consistente posição antifascista.
A análise do pensamento de Ortega (1883-1955) encerra a discussão, por Merquior, das grandes personalidades do liberalismo conservador. Ortega se defronta com exigências contraditórias. Por um lado, seu profundo liberalismo, como decorrência necessária de seu abrangente humanismo. Por outro lado, sua crítica ao homem-massa, não entendido como membro do proletariado, mas
como um tipo psicocultural, que se encontra em todas as classes sociais, consistente no homem sem ideais superiores, que se esgota na busca do bem-estar.
O liberalismo de Ortega o leva a apoiar os esforços iniciais da República e a se opor, concomitantemente, ao franquismo e ao comunismo. O elitismo psicocultural de Ortega o conduz, a meu ver, a uma modalidade própria de liberalismo conservador, que se poderia definir como uma sustentação universal das liberdades negativas e uma abordagem seletivamente meritocrática para as liberdades positivas. Escapou à análise merquioriana esse aspecto do pensamento de Ortega, que me parece extremamente relevante.
Concluindo sua magistral discussão do liberalismo de seu momento clássico ao conservador, Merquior diferencia, no processo, cinco principais expressões: (1) os direitos naturais, com Locke e Paine; (2) o humanismo cívico, de Jefferson e Mazzini; (3) o das etapas históricas, com Smith e Constant; (4) o utilitarismo, com Bentham e Mill; (5) o sociologismo histórico, com Tocqueville.
O liberalismo é um processo que parte do whiguismo, como mera demanda de liberdade religiosa e governo constitucional, para atingir a democracia. Os excessos desta preocupam os liberais conservadores, que querem moderar a democracia e se constituem em neo-whigs.
Daí resultam em três modalidades de liberalismo: (1) o idioma burkeano, de Macauley, Maine, Alberdi, Renan, Acton; (2) a linguagem darwinista, de Spencer; (3) o historicismo, com suas implicações elitistas, de Weber e de Ortega.

O novo liberalismo
Albert Dicey, citado por Merquior, observa que o reformismo legal, na Inglaterra, teve duas fases no século XIX. A primeira, de 1825 a 1870, encaminhou-se para defender e expandir a independência individual. A segunda, de 1870 em diante, teve por objetivo a justiça social.
O novo liberalismo, do fim do século passado em diante, teve um forte cunho social, tornando-se um social-liberalismo. A grande figura britânica, nessa linha de pensamento, foi Thomas Hill Green (1836-1882). A partir de um hegelianismo kantiano, Green sustenta a necessidade de, mantendo-se o princípio da liberdade, liberdade de qualquer coerção, encaminhar-se para a liberdade positiva, para assegurar a todos os homens a plenitude de seu autodesenvolvimento – a Bildung dos alemães. O objetivo da ação pública deve ser o da melhoria social. Isto significa agregar, à defesa dos direitos individuais, a exigência de igualdade de oportunidades e de uma ética comunitária. John Hobson (1854-1940) e Leonard Hobhouse (1864-1929) prosseguem na linha de Green. Hobhouse insiste na exigência de liberdade positiva. Hobson se tornará famoso com seu Imperialism, de 1902, atribuindo este à excessiva acumulação de riquezas e poupança, que passam a exigir a conquista coercitiva de novos mercados.
As ideias de Green foram mantidas e postas em prática por William Beveridge (1879-1963). A partir do Reform Club, em 1942, Beveridge elabora os “Estatutos Originários” do estado de bem-estar social britânico.O liberalismo social assumiu, na França, a forma do republicanismo. O que estava em jogo era a reconstrução das instituições depois da derrocada do Segundo Império, sem incidir no populismo da Comuna, nem no retorno ao monarquismo conservador. As ideias básicas do movimento são lançadas por Claude Nicolet em L’idée Républicaine en France, de 1870. O liberalismo social, na França, se subdivide em diversas modalidades: neogirondinos, com Quinet; neodantonistas, com Michelet e Victor Hugo; republicanos positivistas, com Jules Ferry e Gambetta, e republicanos espiritualistas, com Charles Renouvier.
O liberalismo social, na França, tomou a defesa de Dreyfus. Seus expoentes mais recentes foram Émile Durkheim (1858-1917) e Leon Duguit (1859-1925). A expressão final dessa tendência adquire, com Alain (Émile Chartier, 1868-1951) um sentido super-individualista, beirando o anarquismo. Alain será extremamente influente na formação do pensamento de Sartre, de Simone Weil e de Raymond Aron. Essa tendência, com coloração mais social, será mantida por
Albert Camus (1913-1960) em seus romances. O liberalismo social tem importantes defensores, na Itália, com Piero Gobetti (1901-1926), antifascista, numa posição de social-liberalismo idealista, baseado nas massas e Cario Roselli (1899-1937), que busca um socialismo democrático, liberado do marxismo. Na Espanha, com Salvador de Madariaga (1886-1978), dentro de uma visão organicista da democracia.
Na Alemanha, o liberalismo social se identifica com o apoio à República de Weimar. Seu mais eminente expoente será Hans Kelsen (1881-1973). Em seu trabalho de 1920 Sobre a Essência e o Valor da Democracia, o eminente jurista sustenta que a essência desta consiste na autonomia da geração da norma, em condições de pluralismo político.
Os Estados Unidos dão uma relevante contribuição ao liberalismo social com Woodrow Wilson (1856-1924) e seu programa da “New Freedom” e John Dewey (1859-1952), com sua ênfase sobre a educação.
Mais recentemente, os britânicos dão nova importante contribuição ao socialliberalismo, com Keynes (1883-1945) e o romancista George Orwell (1903-1950). Karl Popper, de tendência conservadora e perspectiva neopositivista, desenvolve, em termos antiestatistas, uma preocupação com a superação da miséria. Seu famoso dito: “minimizem a miséria, em vez de tentar maximizar a felicidade”. Dentro dessa linha, destaca-se a importância intelectual de Sir Isaiah Berlin, cujo Two Concepts of Liberty, de 1958, diferenciando a liberdade negativa da positiva, salienta o imperativo de perseguir objetivos racionais, evitando todas as formas de autoritarismo.
Neoliberalismo
Enquanto o que Merquior designa de “New Liberalism” se caracteriza pela impregnação da preocupação social no pensamento liberal, o neoliberalismo toma sentido oposto, constituindo uma dura crítica do paternalismo estatal. Von Mises (1881-1933) com seu libelo Socialismo, de 1922, denunciando os abusos da regulação social, Von Hayek (1899-1992) sustentando um liberalismo de mercado, em condições de governo mínimo, juntamente com Milton Friedman (1912-2006) e sua irrestrita defesa do mercado, marcam a linha extremamente conservadora do neoliberalismo.
O neoliberalismo retoma a temática individualista do liberalismo clássico, dentro da postura do liberalismo conservador de Burke, Macauley e Bagehot. E conhecida a grande influência exercida por essa linha de pensamento na política contemporânea, a partir de Thatcher, na Grã-Bretanha, e de Reagan, nos Estados Unidos, irradiando-se para o restante do mundo, notadamente em muitos países do Terceiro Mundo. O fato de governos economicamente neoliberais, ainda que frequentemente fundados num autoritarismo político, terem conquistado, no Sudeste Asiático e em países latino-americanos, como o Chile de Pinochet (numa orientação continuada pelo governo democrático de Patricio Aylwin) e o México, importantes êxitos econômicos, conferiu à ideologia neoliberal uma grande audiência.
Merquior analisa, com muita competência, as principais personalidades do pensamento neoliberal. É de lastimar-se que não tenha introduzido as necessárias qualificações, no tocante à diferenciação que importa fazer, entre a comprovada validade de uma economia de mercado, dinamizada pela empresa privada, como condição de boa alocação e gestão de recursos, dos aspectos puramente ideológicos do neoliberalismo, demonizando o Estado e, por conta de sua desmontagem, instaurando a lei da selva em sociedades cuja estabilização se devera aos sadios efeitos do Welfare State.
Liberalismo sociológico
O quinto e último capítulo do livro de Merquior contém duas seções finais. Uma tratando do que se poderia denominar de “liberalismo sociológico”, que consiste, fundamentalmente, numa análise crítica do pensamento de Raymond Aron e de Ralf Dahrendorf. A outra, abordando o neocontratualismo de Rawls, Nozick e Bobbio.
Em sentido estrito, não se pode falar de liberalismo sociológico em relação a Aron e a Dahrendorf. Tal denominação só teria sentido aplicada ao liberalismo de Spencer e de Durkheim. Aquele, por seu determinismo evolucionista. Este, por seu determinismo social. Aron e Dahrendorf são eminentes sociólogos e convictos liberais. Em ambos o liberalismo não decorre de postulados sociológicos ainda que, certamente, a condição de competentes sociólogos os leve a superar os aspectos meramente ideológicos de várias modalidades de liberalismo, tanto de esquerda quanto de direita.
Aron (1905-1983), tão multifacético como Merquior – que sobre este emitiu a famosa frase “ce garçon a tout lu” – sustenta um liberalismo moderadamente conservador, na relação indivíduo-sociedade-Estado, enfatizando as liberdades negativas e a relevância do mercado. Por outro lado, tem consciência da necessidade de uma prudente regulação, pelo Estado, das relações econômicas (medidas anticíclicas) e sociais (igualdade de oportunidades e proteção de setores carentes). Sua militante denúncia das falácias do comunismo e dos populismos de esquerda lhe valeram, durante largo anos, a hostilidade da maioria dos membros da intelligentzia. Sua extraordinária honestidade intelectual, sua enorme competência e excepcional lucidez acabaram lhe conquistando a admiração geral de todos os intelectuais sérios, ainda antes de o colapso do comunismo no Leste Europeu e na União Soviética confirmar, historicamente, a procedência de suas críticas.
A análise de Aron, por Merquior, se concentra, sobretudo, na sua obra histórico-sociológica e menos nas suas concepções a respeito do liberalismo, estas predominantemente veiculadas através de sua ampla contribuição ao jornalismo. Ralf Dahrendorf (1929-2009) compartilha, com Aron, a análise da sociedade industrial contemporânea e estuda os conflitos que lhe são próprios.
Particularmente importante, a esse respeito, é seu livro The Modern Social Conflict (1988). Mostra Dahrendorf como, na contemporânea sociedade industrial (tornando-se pós-industrial), os conflitos de classe, ao estilo do século XIX, foram superados por outro tipo de conflito. As diferenciações de classe ficaram extremamente reduzidas pela universalização da educação e de um estilo de classe média para, praticamente, toda a população. Formou-se, assim, um amplo estrato de assalariados, tanto de blue como de white collars. O próprio empresariado, sem embargo de seus proventos e poder decisório, decorrentes do capital, participa desse estrato como executivo das empresas. O novo conflito social, nas sociedades contemporâneas avançadas, é o conflito entre “provisões” e “titularidades”. A legislação social e os acordos sindicais conferem “titularidades”, independentemente de específicas “provisões” para atendê-las, ocasionando, assim, frequentemente, conflitos entre direitos adquiridos e meios para dar-lhes atendimento. Os atuais debates no Brasil, em torno das aposentadorias, são uma boa ilustração desta questão. Esse tipo de conflito suscita dois movimentos sociopolíticos opostos. De um lado, a classe majoritária (o amplo assalariado), com as demandas de suas titularidades. De outro lado, os “thatcheritas”, ciosos da proteção das provisões disponíveis, impondo disciplina às titularidades.
Nesse quadro, Dahrendorf, como Aron, preconizam um liberalismo radical, que assegure um sadio equilíbrio entre provisões e titularidades.

Os neocontratualistas
John Rawls (1921-2002) conquistou fama tardiamente, com seu livro ATheory of Justice (1971). Retomando a tese do contrato social, Rawls assinala que o que está realmente em jogo não é tanto a questão da legitimidade do poder, de que se ocupavam os utilitaristas, mas as regras de justiça. O contrato social de Rawls é expressamente hipotético. Trata-se de saber o que pessoas racionais contratariam se, ignorando os recursos de cada qual e o lugar que lhes fosse dado ocupar na sociedade, tivessem de estabelecer as regras de justiça. Segundo Rawls, tal situação conduziria à adoção de dois princípios: (1) cada qual deve ter igual direito ao máximo de liberdade compatível com a liberdade dos demais; (2) desigualdades sociais podem ser admitidas, sempre que beneficiem os menos favorecidos membros da sociedade. Tais posições conduzem Rawls a um social-liberalismo.
Robert Nozick (1938-2002), em seu Anarchy, State and Utopia (1974) adota posições divergentes, sustentando, também a partir de premissas neocontratualistas, a necessidade de minimização do Estado, que o inserem na linha do neoliberalismo.
Norberto Bobbio (1909-2004), uma das maiores figuras intelectuais de nosso tempo, se preocupa com o futuro da democracia e com o tipo de boa sociedade e de bom governo realisticamente realizáveis. Seu livro Estado, Governo e Sociedade (1955) é, possivelmente, o melhor compêndio contemporâneo de teoria política.
Segundo Bobbio o bom Estado deve apresentar cinco características básicas: (1) inserir-se num contexto poliárquico; (2) conter limitações de poder; (3) assegurar aos cidadãos participação na adoção de normas; (4) dispor de procedimentos democráticos para a eleição dos líderes e (5) respeitar os direitos civis e cívicos. Como Rawls, Bobbio é um social-liberal e um democrata liberal.

Esse texto é um apêndice escrito por Hélio Jaguaribe no livro O Liberalismo: Antigo e Moderno, de José Guilherme Merquior, publicado pela editora É Realizações em 2014.
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2019.03.29 15:19 SujeitoOculto Texto sobre o livro Sociedade do Cansaço, Byung-Chul Han. Considero muito importante essa leitura.

Sociedade do cansaço é um livro curto – numa época de velocidade e esgotamento, trata-se de uma forma precisa de transmitir para o público leitor o aspecto tenebroso da valorização de indivíduos inquietos e hiperativos que se arrastam no cotidiano produtivo realizando múltiplas tarefas. Publicado originalmente em língua alemã, Sociedade do cansaço foi traduzido para o português em 2015 e ampliado na segunda edição em 2017 com dois textos anexos esclarecedores: “Sociedade do esgotamento” e “Tempo de celebração: a festa numa época sem celebração”.
No livro, o sul-coreano Byung-Chul Han, professor de filosofia e estudos culturais da Universidade de Berlim, parte de uma constatação relativamente comum para o problema das relações entre sociedade e sofrimento psíquico: cada época tem suas enfermidades 1 . Dado que os sofrimentos psíquicos são compreendidos nos dias atuais sobretudo como desvios neuroquímicos, para o autor do livro em tela nossa época se configura como uma “violência neuronal”. Não obstante a expressão, sua explicação passa ao largo de aspectos fisiológicos do sistema nervoso: sofrimentos psíquicos como síndrome de burnout , transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e depressão são apreendidos pelo autor em sua relação direta com o modo operatório do capitalismo contemporâneo.
De saída, Byung-Chul Han sustenta que as sociedades ocidentais não são mais designadas pela negatividade típica de épocas e dispositivos “imunológicos”, cujos mecanismos de defesa são a reação, o estranhamento e o isolamento do estranho como formas de proteção. Para além da negatividade das sociedades disciplinares – em que semelhantes dispositivos operam por meio de muros, passagens e barreiras e nas quais o princípio de interdição torna possível o modelo freudiano da neurose enquanto conflito intrapsíquico –, a sociedade contemporânea distingue-se pelo excesso de positividade . Em seu aspecto biológico e social, a violência neuronal a que se refere o autor não está mais associada à negatividade estranha (exterior) ao sistema: trata-se de uma violência imanente ao próprio sistema (p. 20). Em sua forma especificamente social, a nomeação adequada do sistema é “sociedade do desempenho”. É dessa maneira que o sul-coreano designa o modo de funcionamento da sociedade ocidental contemporânea pós-disciplinar, já apreendida por outros autores como, por exemplo, “sociedade pós-industrial” (Bell, 1999), “sociedade de controle” (Deleuze, 1992), “capitalismo cognitivo” ou “economia material” (Negri e Lazzarato, 2001; Gorz, 2005) e “biopolítica” (Foucault, 2008) 2 . A despeito do matiz analítico diverso de cada uma das expressões conceituais, todas indicam a constituição de uma nova subjetividade proveniente das transformações sócio-históricas ocorridas desde o final do último século.
Yes, we can – o slogan utilizado pelo presidente estadunidense Barack Obama – expressa com precisão o excesso de positividade da sociedade do desempenho (p. 24). No lugar do enunciado disciplinar coercitivo (“tu deves”), imposto de fora, entra em cena o novo enunciado (“nós podemos”), o qual, em seu aspecto imanente, remete a uma falsa liberdade ao impor aos indivíduos o imperativo da realização, da mobilidade, da velocidade e da superação constantes. O aspecto central da análise do coreano reside justamente na falsa liberdade e no processo destrutivo contido nesta transformação contemporânea. O filme Cisne negro , de Aronofsky (2010), pode evidenciar sua tese. Neste thrillerpsicológico, a imposição da performance e do desempenho mediante a autossuperação é incorporadapela protagonista e levada a suas últimas consequências. A autodestruição da bailarina – que figura aqui apenas como metáfora do desempenho profissional contemporâneo – nada mais é senão a perseguição obstinada do enunciado “tu podes”. Em que pesem os efeitos destrutivos, o filme parece ratificar a constatação de Byung-Chul Han de que “[a] positividade do poder é mais eficiente que a negatividade do dever” (p. 25). Ou seja, a autossuperação postulada em yes, we can é capaz de extrair toda a potência e eficácia insuspeitas ao próprio sujeito, ainda que o custo da autossuperação possa ser a autossupressão.
Com o deslocamento da negatividade para a positividade, o sujeito do desempenho – mais rápido e eficiente – substitui o sujeito da obediência. Transforma-se, assim, o paradigma do inconsciente freudiano, que não é atemporal, mas histórico. Suas condições de possibilidade são a disciplina, a interdição e a repressão modernas, cujo corolário forma o sujeito obediente, temerário e angustiado diante da possibilidade de transgressão. Ao contrário do inconsciente freudiano vinculado necessariamente à repressão e à negatividade, o sujeito neoliberal do desempenho é dominado hoje pelo excesso de positividade. Portanto, se no modelo freudiano o sujeito da obediência se submete ao superego, o sujeito do desempenho projeta para si uma forma ideal de existência (p. 100). O excesso de positividade investido para alcançá-la conduz o indivíduo, de forma inexorável, ao esgotamento típico dos sofrimentos psíquicos da nossa época, que são, aos olhos de Han, especialmente a síndrome de burnout e a depressão. Sua tese é explicita: “[a] sociedade disciplinar ainda está dominada pelo não . Sua negatividade gera loucos e delinquentes. A sociedade do desempenho, ao contrário, produz depressivos e fracassados. […] Esses estados psíquicos [de esgotamento] são característicos de um mundo que se tornou pobre em negatividade e que é dominado por um excesso de positividade” (pp. 24-25 e 70, grifo do autor).
Com efeito, em uma época cujas palavras-chave são “projeto”, “motivação”, “iniciativa”, “eficiência”, “flexibilidade”, não surpreende a avaliação positiva de indivíduos ativos. Para além da rubrica psicopatológica, a hiperatividade – que é também a impossibilidade de recusa, de dizer “não” a estímulos intrusivos – apresenta-se para Byung-Chul Han como a expressão cabal da valorização do excesso de positividade. É verdade que o déficit de atenção associado à hiperatividade constitui um transtorno psiquiátrico específico de nossa época. No entanto, a justa medida da hiperatividade é valorizada sutilmente no próprio Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais(DSM) da Associação Psiquiátrica Americana, documento que, como referência mundial para a prática clínica e as pesquisas epidemiológicas, é responsável por estabelecer cientificamente a distinção entre conduta normal e patológica. Na apresentação ao “Episódio hipomaníaco”, o DSM-IV-TR evidencia como o estado moderado de euforia e agitação – que não implica deficiência no funcionamento normal do indivíduo, não requer hospitalização nem apresenta características psicóticas – pode ser socialmente desejado: “[a] alteração no funcionamento em alguns indivíduos pode assumir a forma de um aumento acentuado na eficiência, realizações ou criatividade” (APA, 2002, p. 362).
Para criticar o excesso de positividade da nossa época, Byung-Chul Han evoca Nietzsche, mostrando assim que o estado atual da sociedade nada mais é do que o desenvolvimento da modernidade ocidental decadente. Por falta de repouso, afirma o filósofo alemão em 1878, “nossa civilização caminha para uma nova barbárie. Em nenhuma outra época os ativos, isto é, os inquietos, valeram tanto […]” (Nietzsche apud p. 37). Influenciado por Nietzsche, que perpassa seu texto, Byung-Chul Han considera a hiperatividade contemporânea como uma espécie de esgotamento espiritual dos nossos dias. Contra o tédio – que constitui o ponto alto do descanso espiritual –, o indivíduo afunda-se, inquieto, na atividade. Ácida, outra passagem do autor de Humano, demasiado humano dá o tom da crítica do coreano aos valores considerados nobres pelo capitalismo contemporâneo: “Os ativos rolam como rola a pedra, segundo a estupidez da mecânica” (Nietzsche apud p. 53) 3 . Ora, mas por que julgar de forma tão desprezível a atividade sôfrega dos indivíduos contemporâneos?
É que o sujeito do desempenho contemporâneo experimenta uma contradictio in adjecto: a liberdade coercitiva. Alçado à condição de “empresário de si mesmo”, o sujeito atual não tem mais como máximas a obediência ao outro, o cumprimento da lei e do dever, mas o sentimento de “liberdade” e de “autonomia”, a partir do qual deve fazer operarem “criatividade”, “desempenho”, “inovação”, “boa vontade”, “iniciativa individual” e “flexibilidade”. Note-se que o autor patenteia a autoexploração latente na última característica supervalorizada pelo mercado e pelos indivíduos em suas condutas de vida: para as relações sociais de produção capitalista contemporânea, o sujeito de desempenho pode explorar-se a si próprio de modo ainda mais efetivo “quando se mantém aberto para tudo” (p. 96). Não obstante a ênfase dada à “flexibilidade”, juntas, todas as expressões supracitadas constituem o mantra do paradigma produtivo atual que perpassa inteiramente a existência individual, submetendo-a a novas coações. Daí a ideia de que “o sujeito de desempenho pós-moderno não está submisso a ninguém”, salvo a ele próprio (p. 101). Lembremos uma vez mais o Cisne negro – o enunciado do diretor da peça de balé que é incorporado pela protagonista apresenta-se da seguinte forma: “Você não tem nenhum obstáculo a superar a não ser você mesma”. Soando liberdade, a perseguição da meta violenta psíquica e corporalmente o sujeito. É que, como mostra Byung-Chul Han de forma convincente, o sujeito narcísico e de desempenho solicitado em nossos dias não realiza a meta: concorrendo consigo próprio, é incapaz de chegar à conclusão. É ilusório, portanto, associar atividade excessiva pretensamente autônoma à conquista de liberdade.
A coação de desempenho força-o [o sujeito narcísico de desempenho] a produzir cada vez mais. Assim, jamais alcança um ponto de repouso da gratificação. Vive constantemente num sentimento de carência e de culpa. E visto que, em última instância, está concorrendo consigo mesmo, procura superar a si mesmo até sucumbir. Sofre um colapso psíquico, que se chama de burnout (esgotamento). O sujeito de desempenho se realiza na morte. Realizar-se e autodestruir-se, aqui, coincidem (pp. 85-86).
A forma pronominal do verbo “destruir” parece nesse excerto, de fato, insuficiente: o prefixo “auto” sublinha a dimensão da destruição do sujeito de desempenho. Dessa forma, o coreano apresenta o aspecto áspero e inequívoco de sua tese. Veiculada não apenas por discursos empresariais ( management ) e mensagens da indústria cultural 4 , mas também por discursos institucionais de promoção da saúde e do bem-estar 5 , a tão propagada “autorrealização” conduz o indivíduo à autodestruição. Eis a lógica paradoxal da “liberdade” em uma sociedade pós-disciplinar que absolutiza desempenho e produção. “O excesso de trabalho e desempenho agudiza-se numa autoexploração. […] Os adoecimentos psíquicos da sociedade de desempenho são precisamente as manifestações patológicas dessa liberdade paradoxal” (p. 30).
Na sociedade do desempenho, ação e identidade são reduzidas à esfera do trabalho e da produção. Experimenta-se o “tempo de trabalho total” – expressão que nos remete, às avessas da suposta liberdade individual sustentada pelos arautos do neoliberalismo, à noção de um “trabalho totalitário”. “A própria pausa se conserva implícita no tempo de trabalho. Ela serve apenas para nos recuperar do trabalho, para poder continuar funcionando” (p. 113) – para o trabalho, é preciso acrescentar. Ainda que não seja mobilizada pelo autor de A sociedade do cansaço , a noção de trabalho imaterial – formulada na passagem para o século XXI por André Gorz, Antonio Negri e Maurizio Lazarrato – evidencia de que forma o novo paradigma produtivo do capitalismo cognitivo e a procura constante do indivíduo por acúmulo de capital humano deitam por terra, de fato, a cisão entre tempo de trabalho e tempo livre. Concebe-se este como investimento naquele: é no tempo de não trabalho que se adquirem condições, matérias-primas e capital necessários para a geração da riqueza capitalista contemporânea 6 .
Com a sobrestimada noção de autoinvestimento, a dialética senhor-escravo desaparece como dois polos contraditórios para encarnar-se a um só tempo como unidade indissociável no próprio indivíduo. Tudo se passa como se assistíssemos a uma nova servidão voluntária. No lugar da sujeição ao outro – seja a obediência à tirania do soberano (Boétie, [1576] 2017) ou a submissão à exploração do capitalista (Marx, [1844] 2004) –, na sociedade de desempenho predomina a autoexploração. Enquanto realidade incontestável, “você S/A” configura o novo paradigma das relações sociais de produção capitalista contemporânea. Para o autor de Sociedade do cansaço , o atual estágio socioeconômico é, neste sentido, essencialmente pós-marxista, uma vez que a “alienação” não demanda mais o outro, que está na origem do conceito.
O sistema capitalista mudou o registro da exploração estranha para a exploração própria, a fim de acelerar o processo. […] Hoje, vivemos numa época pós-marxista. No regime neoliberal a exploração tem lugar não mais como alienação e autodesrealização, mas como liberdade e autorrealização. Aqui não entra o outro como explorador, que me obriga a trabalhar e me explora. Ao contrário, eu próprio exploro a mim mesmo de boa vontade na fé de que possa me realizar. E me realizo na direção da morte. Otimizo a mim mesmo para a morte (pp. 105 e 116).
Embora não esteja explicitado na letra do livro, torna-se patente que o outro a que o indivíduo contemporâneo se submete sob a ilusão de liberdade é o mercado e sua lógica performática. Lemos, afinal, que, destruindo-se na vitória, o sujeito do desempenho faz funcionar uma sociedade cuja base reside na autoexploração determinada pela racionalidade neoliberal. Sem conotação propriamente marxista, o autor destaca – e nesse ponto indica o limite do estudo sociológico de Alain Ehrenberg (1998) sobre a depressão – que o imperativo do desempenho que conduz o sujeito primeiro ao esgotamento (síndrome de burnout ) e depois à depressão provém sobretudo do excesso de positividade solicitado pelas relações sociais de produção capitalista 7 .
Uma vez que o aperfeiçoamento das habilidades ilimitadas para o sucesso profissional é lançado ao infinito, compreende-se, segundo Han pp. 45, 108 e 117), a elevação da saúde à condição de divindade, ou melhor, a “histeria” ou “mania de saúde”. Valendo-se ao longo do ensaio de expressões conceituais compostas por palavras cujas acepções são eminentemente paradoxais – tais como “liberdade coercitiva” e “autorrealização destruidora” –, o autor faz notar as contradições do tempo presente trazendo à tona também a perseguição patológica pela saúde. Se, por um lado, a “vitória” pode ser alcançada mediante tal condicionamento, por outro, o sujeito depressivo atual figura como o único responsável por seu fracasso. Em uma sociedade clivada que produz “perdedores” em série, o depressivo é o sujeito que “[e]stá cansado, esgotado de si mesmo, de lutar consigo mesmo. […] Desgasta-se correndo numa roda de hamster que gira cada vez mais rápida ao redor de si mesma” (p. 91). Nesse sentido, apesar da crítica de que Ehrenberg desconsidera as relações sociais de dominação neoliberal, o argumento do autor de Sociedade do cansaço não está tão distante quanto presume do autor de La fatigue d’être soi: dépression et société , conforme os próprios títulos dão a ver 8 . Para Ehrenberg, mais do que paixão triste, a depressão é uma patologia da capacidade insuficiente de ação e iniciativa. Sua condição de possibilidade, insiste o sociólogo francês em seu livro, provém da conquista de autonomia e de responsabilidade no mundo pós-disciplinar, as quais, transformadas em norma social, o sujeito não suporta, prostrando-se depressivo.
Como se vê, a substituição do elemento negativo pela pura positivação não é considerada por Byung-Chul Han como favorável aos indivíduos, visto que ela é, antes de tudo, autoagressividade. Para evidenciar sua concepção, o coreano diferencia duas formas de potência: a “positiva” e a “negativa”. A primeira, como traço distintivo do tempo presente, inibe a reflexão proveniente da “atenção profunda” e conduz o sujeito à hiperatividade superficial e fatal. A potência “negativa” – que o autor, ao contrário de Agamben, não identifica no escrivão Bartleby ( I would prefer no to ), de Melville – consiste justamente na resistência ao estímulo: em vez do “para-isso”, ação constante do hiperativo, enaltece-se o “não-para”. Trata-se de uma espécie de “tédio profundo” ou “cansaço fundamental”, sobre o qual Byung-Chul Han discorre a partir de Para uma abordagem da fadiga , do escritor austríaco Peter Handke (1990). Inspirador, semelhante cansaço indica menos o que se deve fazer do que aquilo de que se pode abrir mão. Tal cansaço “habilita o homem para uma serenidade e abandono especial, para um não fazer sereno” (p. 73). Próximo à angústia, à ira e ao luto – potências negativas fundamentais substituídas no universo existencial contemporâneo pela irritação e pelo medo 9 –, o “cansaço fundamental” consiste numa forma de fazer desaparecer a economia da eficiência e da aceleração, resistindo-lhe. Com todos os paradoxos que a linguagem permite, o cansaço elogiado pelo autor constitui a potência negativa, em que seria possível gozar – sem aberração – o uso do inútil (p. 76).
Claro está que, para Han, o estado de esgotamento na sociedade atual não provém desse tipo de potência, mas do excesso de positividade (leia-se: estímulos). A leitura de 24/7 – Capitalismo tardio e os fins do sono pode ratificar o sentido da experiência social analisado por Byung-Chul Han. Nesse livro, o professor de história da arte Jonathan Crary (2016) evidencia de que forma a presença constante de estímulos tende a impedir o desligamento do indivíduo, que dorme hoje em sleep mode . Inspirada nas máquinas, essa expressão recorrente e apenas aparentemente inócua dá a ver a ideia de que o indivíduo está em “modo de consumo reduzido”, à disposição, superando a lógica “desligado/ligado”, “de maneira que nada está de fato ‘desligado’ e nunca há um estado real de repouso” (Crary, 2016, pp. 22-23). Trazendo à tona projetos científicos, tecnológicos e laboratoriais cujo objetivo consiste em reduzir ou eliminar o sono, o norte-americano mostra que tais empreendimentos – supostamente inacreditáveis – são consonantes à cultura moderna ocidental que deprecia o sono desde a estimação positiva de conceitos e valores como produtividade, racionalidade, consciência, vontade, objetividade, ação, desempenho. Na cultura ocidental contemporânea “24/7”, na qual impera o regime de trabalho non-stop , o sono se apresenta como a única dimensão existencial ainda não colonizada pelo capitalismo.
A sociedade do cansaço atual nada mais é do que a absolutização unilateral da “potência positiva”. Por isso, é também uma “sociedade do doping ”. O melhoramento cognitivo ( neuro-enhancement ) pode não representar nenhum problema moral diante da normatividade social vigente na sociedade do desempenho. Ou seja, o uso pragmático e utilitário circunscrito à “psicofarmacologia cosmética” (Kramer, 1993) apresenta absoluta coerência em uma configuração social que inculca nos indivíduos a necessidade tanto de realização permanente – para a qual se solicita, antes, a autossuperação – quanto de bem-estar como fórmula para o sucesso social. Uma substituição ocorre, assim, no plano terapêutico. Desprovido de tempo, o sujeito do desempenho não procura mais a gênese do conflito psíquico, cuja temporalidade técnica é lenta. A medicação psiquiátrica pode atender com a urgência necessária o restabelecimento, a manutenção e o aperfeiçoamento das potencialidades do sujeito impaciente para a escavação arqueológica de cunho psicanalítico que visa a descobrir a origem do sofrimento psíquico.
Em um aforismo sugestivo, o antropólogo estadunidense Marshall Sahlins (2004, p. 23) sentencia: “[u]m povo que concebe a vida exclusivamente como busca da felicidade só pode ser cronicamente infeliz”. Do mesmo modo, ao juízo de Han, a lógica social parece inequívoca: a sociedade hiperativa do desempenho só pode produzir indivíduos estafados. Daí a epidemia de um sofrimento psíquico relacionado diretamente ao desempenho profissional, que captura todos os aspectos da vida humana. A síndrome de burnout , que precede a depressão, é a consequência lógica e patológica da autoexploração.
Sublinhemos, por fim, o fato de que a associação entre a depressão (e outros sofrimentos psíquicos) e as normas sociais do capitalismo contemporâneo não é inédita. Além de Ehrenberg (1998) e sua ênfase na “autonomia” como norma social que se impõe sobre os indivíduos, Maria Rita Kehl (2009) também argumenta que a epidemia atual de depressão encontra suas condições de possibilidade em uma sociedade simultaneamente antidepressiva e maníaca (leia-se: patologicamente hiperativa). Subtraindo o aspecto psicanalítico que foge ao escopo da nossa análise, a autora brasileira sustenta que a depressão recusa e questiona valores essenciais da sociedade capitalista contemporânea, entre os quais se destacam a velocidade e o gozo, isto é, a aceleração do tempo e o imperativo da felicidade, do prazer e da satisfação prêt-à-porter .
A despeito desta observação final, dialogando com obras de escritores e artistas diversos – entre os quais despontam não apenas os já citados (Nietzsche, Melville, Handke, Agamben), mas também Kafka, Maurice Blanchot, Cézanne, Merleau-Ponty, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Hannah Arendt, Jean Baudrillard e Roberto Esposito –, Byung-Chul Han apresenta em seu Sociedade do cansaço uma reflexão percuciente para o público leitor compreender melhor o modo de funcionamento da sociedade capitalista contemporânea. De forma mais específica, o livro é uma contribuição a ser considerada por sociólogos e pesquisadores que estudam a relação entre sociedade e sofrimento psíquico, na medida em que associa, de forma inequívoca, autorrealização e autodestruição em uma determinada configuração social. Com uma pergunta, o Zaratustra de Nietzsche (2011, p. 46) pode ainda nos perturbar e inquietar, provocando a reflexão: “[e] também vós, para quem a vida é furioso trabalho e desassossego: não estais muito cansados da vida?”.
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2018.02.23 00:58 gioblins FLUL ou FCSH?

Olá, Reddits
Eu chamo me Ântonio e vivo um dilema.
Daqui há alguns meses irei ingressar no processo de canditura à Universidade para o curso de Tradução e ainda não consegui optar por uma faculdade.
Estive a ver o plano currícular no site da FLUL (que por ventura está muito mais especificado do que o da FCSH) e fiquei interessada.
Para criar contexto, escolhi o curso de Tradução pois já estudo Alemão há um tempo, e provavelmente é uma das poucas coisas que não me sinto culpada enquanto "perco tempo" a fazer. Sinceramente, não faço a menor ideia do que quero a nível profissinal, porém, interesso-me bastante e maioritariamente por Filosofia e Cinema. Por consequência, História, Literatura e Cultura em geral. Ou seria ao contrário? Anyways, vi que no plano de estudos da FLUL tenho acesso a esse tipo de estudos, como por exemplo:
Tópicos da Cultura Alemã Mitos da Cultura Espanhola Poesia Francesa Artes Visuais no Espaço Inglês Cinema Inglês Cinema Norte-Americano Cultura Popular Norte-Americana História e Cultura dos EUA (séc. XX e XXI) História e Cultura Inglesa – séc. XIX-XX História e Cultura Inglesa – séc. XVI-XVIII História e Cultura Inglesa Medieval O Romantismo Alemão Literatura e Cinema em Espanha Narrativa Hispano-Americana Literatura Francesa Moderna e Contemporânea Entre Outros
Em relação a FCSH, eu só tive acesso ao plano de estudo geral. Alguém aí na área de Línguas da FCSH? Apesar de gostar da Teoria, não é só isso que pretendo experienciar.
Outro ponto significativo, seria a mood de ambas as universidades.
Sempre ouvi dizer que a FLUL possui uma relação mais "séria" com os alunos, (deveras subjectivo, uma vez que não terei a menor paciência para estar num ambiente que o Excelentíssimo Sr. Dr. Professor estará a divagar por horas e nenhum prostrado enérgumeno sequer irá intervir, duvidar, questionar ou debater. E se intervir, não dará qualquer prezo pelo diálogo, onde se vai esperar aquele momento que não chega nunca, que é o outro parar de falar para aí então começar a despejar merda). Perdoem a minha revolta.
Em relação ao ambiente, nunca ouvi nada sobre a FCSH.
Serei grata as pessoas que puderem argumentar sobre esses pontos ou qualquer outro que ache pertinente.
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2017.10.07 01:45 Pertyew Sobre essa história de separatismo, e sobre mais autonomia aos estados

Bem, todos já devem saber dessa historia de separatismo que está rolando por aí, totalmente sensacionalizada pela mídia pra ganhar cliques. Estão rolando comentários literalmente de ódio aos sulistas, e não só direcionados aos organizadores daquele negócio mas a todos os sulistas. Quero esclarecer algumas coisas, primeiramente sobre a questão cultural.
Não é que sulista odeia os outros estados, muito menos se acham "superiores" a alguém. Sulista, principalmente nós gaúchos, em geral simplesmente gostamos da nossa terra. E, sim, gostamos mais dela que das outras. Afinal de contas, não é algo natural? Imagino que os cearenses gostem mais do Ceará que dos outros estados, que os goianos gostem mais de Goiás, e etc, afinal de contas é o seu lar., sua cultura, sua história e sua gente. Criar canções de amor á sua terra e mistificar figuras heroicas dela deveria ser algo totalmente natural de todo povo. Porém por algum motivo no Brasil atual virou motivo de vergonha gostar do chão onde se nasceu. Virou motivo de piada olhar para o passado e admirar os feitos de pessoas que pisaram na lama onde seus pés hoje pisam. A história não tem que ter sido perfeita, e os personagens são sim, humanos, e como tais tinham suas falhas, cometeram erros e tinham preconceitos. Não significa que seus feitos sejam menos épicos.
Outra coisa em relação à cultura: Sim, há rancor guardado pelos sulistas, e eu compreendo o motivo. O sul é relativamente negligenciado no Brasil em questão cultural. A maioria dos textos sobre cultura brasileira ignora o sul, ou então o menciona bem pouco. Além disso, a cultura do sul é vista como alienígena, estranha, exótica e "coisa de gente diferente" na mídia brasileira (Vide a Angelica forçando sotaque gaúcho e experimentando chimarrão como se fosse a coisa mais estranha do mundo no programa dela).
Temos que entender uma coisa: Música gaúcha é tão brasileira e representa tanto o Brasil quanto samba, bandinha alemã é tão brasileira quanto pagode, e assim em diante. (aliás, eu acho música indígena uma das mais ignoradas no Brasil. A arquitetura de Blumenau ou Gramado por exemplo, não é feita pra copiar a europa como se diz por aí. Ela é, sim, também arquitetura brasileira, afinal de contas os alemães que trouxeram essa arquitetura pra cá morreram como brasileiros (mesmo que hoje em dia tenha um pessoal que se julgue alemão ou europeu, ainda são brasileiros). O Brasil não é aquela caricatura feita pra gringo ver, podem existir brasileiros de todos os estilos e tradições. E isso não se aplica somente ao sul, mas a todos os estados e a todas as culturas. Inclusive acho que a cultura e música indígena deveria ser bem mais apreciada no Brasil, assim como é em países como Peru e Bolívia.
O pessoal aqui costuma rejeitar as influencias cultuais que vem de fora do sul por que os outros lugares tem forte rejeição à cultura do sul. A mídia Brasileira é extremamente centralizada e isso é um dos motivos disso acontecer. Infelizmente temos hoje, principalmente nas grandes cidades, sulistas que desejam a morte de sua cultura e querem mais é que o Brasil se torne um grande pedaço de terra monocultural, e isso alimenta essa rejeição. Sinceramente, por que? O que tem de tão ruim na cultura que seus pais, avós e bisavós cultivaram? Toda cultura deve ser preservada e admirada pelos seus integrantes e também pelos de fora.
Meu segundo ponto é a economia. O sul costuma ter os melhores índices de desigualdade social do país, principalmente nas regiões de colônia por causa daquela história de colônia de exploração x colônia de ocupação que já foi discutida por aqui. A questão é que o Brasil é como um organismo vivo, e é assim por que foi como o país se desenvolveu. SP não sustenta o país, assim como o Sul não é o único que provém matéria prima pra eles. Do jeito que estamos, nenhuma parte vive sem a outra.
Olhando por um outro lado, o argumento de que os estados do sul estão falidos não faz sentido. A dívida que os estados do sul tem é justamente para com a união, ou seja, estão falidos justamente por que estão dando todas as suas economias para Brasília ao invés de investirem em saúde e educação. "Ah mas foram eles que pediram os empréstimos" - acontece que esses empréstimos já se pagaram até mesmo se corrigir pela inflação. Todo o resto da dívida, que é de várias vezes o valor inicial, é puro juros "vazio", dinheiro que está indo de graça pra Brasília e que nunca trará retorno pros estados. Detalhe que essa situação não é nem de longe exclusiva dos estados do sul, tem UM MOTE de estados, inclusive os mais pobres nessa situação. Ou seja, esse sistema de ter juros altíssimos pros estados está trazendo danos a todo mundo, como vou falar agora.
O último ponto é sobre a maior autonomia dos estados, algo que absolutamente TODOS os estados se beneficiariam, além de matar de vez esse negócio de separatismo. A realidade no RS é absolutamente diferente da realidade no Amazonas. Não faz sentido você ter, por exemplo, leis ambientais iguais para os dois. Na minha opinião um das principais e mais urgentes questões é sobre o código penal e legislação sobre drogas. Se os Alagoenses acham que tá legal liberar a maconha, por que diabos um velho careca a 2000 km que nunca visitou o Alagoas e nem faz ideia do que se passa no estado tem direito a opinar sobre o que acontece lá? Simplesmente não faz sentido.
Um bom exemplo da falta de autonomia dos estados aconteceu uns meses atrás. Um juiz numa cidadezinha qualquer não lembro em qual estado resolveu suspender o Whatsapp no país todo. Quem esse cara pensa que é pra suspender o meu serviço caralhocentos km de distância? Me desculpe aí vossa divindade Juiz, mas mas acho que ele deveria ter poder de desativar o aplicativo no máximo do máximo no estado em que reside, e fim da questão.
Outro exemplo é o fundo partidário aprovado agora a pouco, se dependesse do sul não teria sido aprovado. É só um exemplo de como a política pode ser diferente sim de região para região. Se os acreanos acham que está beleza a eleição estadual ser financiada por iniciativa privada, deixa os cara implementarem isso, cacete, por que o governo federal tem que dar pitaco? Será que os Deuses de Brasília acham que os governos estaduais não tem maturidade o suficiente para lidar com essas questões?
O governo federal leva nosso (de todos os estados) dinheiro embora pra pagar dívida feita em negócios que não ajudaram ninguém de estado nenhum. Cria leis que só tem ele mesmo como beneficiado e acha que tem o dever de regir tudo que acontece nos estados de forma nivelada e generalista. O Brasil não vai funcionar desse jeito nunca.
Enfim, esse é o meu desabafo e minhas opiniões, que podem sim estar erradas, mas são essas. Desculpem pelo texto grande.
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2016.07.31 00:32 o_humanista FLUSSER E A LIBERDADE DE PENSAR ou Flusser e uma certa geração 60.

"Nasci em Praga em 1920 e meus antepassados parecem ter habitado a “Cidade Dourada” por mais de mil anos. Sou judeu e a sentença “o ano vindouro em Jerusalém” acompanhou toda a minha mocidade. Fui educado na cultura alemã e dela participo há vários anos. Embora minha passagem por Londres em 1940 tenha sido relativamente curta, ocorreu em época de vida em que a mente se forma de modo definitivo. Engajei-me, durante a maior parte da minha vida, na tentativa de sintetizar a cultura brasileira, a partir de culturemas ocidentais, levantinos, africanos, indígenas e extremo-ocidentais (e isso continua a fascinar-me). Atualmente moro em Robion, sul da França, integrando-me no tecido de aldeia provençal cujas origens se perdem na bruma do passado".
Este é o Flusser que conheço (e aprendi a conhecer) ao longo de espaços e tempos os mais descontínuos. Figura humana impressionante, dessas que causam impressão de matriz em nossos núcleos pessoais. Mesmo não havendo empatia, no primeiro ou nos encontros subseqüentes, jamais se fica neutro. Flusser ama o desafio, o “corpo a corpo” intelectual provocando-o mesmo, quase como a um gesto iniciático. E que venham as críticas, elogiosas ou não, tanto faz! “Um marco na cultura alemã”; “Um desrespeito filosófico, de Platão a Wittgenstein”: as duas críticas diametralmente opostas lhe foram dirigidas por ocasião de um seminário em Hamburgo sobre seu livro 'Para uma filosofia da fotografia'. Flusser relata a cena com a melhor das gargalhadas – traço personalíssimo do caráter desse autêntico homo ludens, um Macunaíma judeu-tcheco-paulistano. Em sua última passagem por São Paulo, a convite da 18ª Bienal para proferir palestras, ouvi-o falar sobre seu tema atual: texto/imagem. As sentenças, destiladas pelo “rigor da razão-e-da-paixão” (como Flusser, poucos conseguem amalgamar), eram como chicotadas, querendo sacudir-nos da letargia a que nos condena uma época ruidosa; querendo incomodar, para que não se tenha a ilusão de não sermos responsáveis e que o pensar e repensar tudo não vale mais a pena. Mas aquelas sentenças queriam também abraçar, atrair novos e mais parceiros ao diálogo. Flusser sempre faz pensar. E pensar dói. Pois continua o mesmo, esse nosso amigo, escritor, filósofo, engajando-se para fazer da reflexão alimento de primeira necessidade, gesto corporal do ser, prazer erótico. Não há dúvida que, para ele, o homem total é o ser pensante.
"Participo da desconfiança em analogias que tendem rapidamente a se transformarem em metáforas, isto é, transferências de raciocínio adequado a um dado contexto para contexto inapropriado. No entanto, nada captaremos sem modelo. De modo que todo modelo deve, primeiro, procurar pescar o problema, e depois, procurar modificar-se, ou em certos casos, ser jogado fora. (...) O dever de gente como nós, é engajar-se contra a ideologização e em favor da dúvida diante do mundo, que, de fato, é complexo e não simplificável. Engajamento difícil, por certo, mas nem por isto, apolítico. Para nós, Polis é a elite decisória e não a tal massa".
A intenção que move este relato, que se quer subjetivo, é possibilitar um testemunho humano – não mais que isso – da vívida presença entre nós, geralmente incompreendida, super-sub-estimada, deste que é, por muitos, considerado “o genuíno filósofo brasileiro”-, já que falar de sua obra é tarefa que exigiria plena desenvoltura no percurso de seu controvertido pensamento. Se o faço, é certamente apoiada pelo afeto, mas sobretudo por um tipo de engajamento. Publicar Flusser, no Brasil, é questão de honestidade, simples reconhecimento do valor de suas reflexões. Mas falar sobre a pessoa de Flusser é, talvez, querer ir mais longe, penetrar floresta escura, já invadindo quem sabe espaço transpessoal.
"Aprendi o seguinte: ao nascer fui jogado em tecido que me prendeu a pessoas. Não escolhi tal tecido. Ao viver, e sobretudo ao migrar, teci eu próprio fios que me prendem a pessoas e fiz em colaboração com tais pessoas. “Criei” amores e amizades (e ódios e antagonismos); é por tais fios que sou responsável. O patriotismo é nefasto porque assume e glorifica os fios impostos e menospreza os fios criados. Por certo: os fios impostos podem ser elaborados para se tornarem criados. Mas o que importa é isto: não sou responsável por meus laços familiais ou de vizinhança, mas por meus amigos e pela mulher que amo. Quanto aos fios que prendem as pessoas, tenho duas experiências opostas. Todas as pessoas às quais fui ligado em Praga morreram. Todas. Os judeus nos campos, os tchecos na resistência, os alemães em Stalingrado. As pessoas às quais fui ligado (e continuo ligado) em São Paulo, em sua maioria, continuam vivas. Embora, pois, Praga tenha sido mais “misteriosa” que São Paulo, o nó górdio cortado foi macabramente mais fácil".
Quando o conhecemos – refiro-me a um grupo de jovens universitários dos anos 60, geração que cultivava um jeito de vivenciar intelectualmente a sua angustia e cuja ironia não havia ainda descambado para o deboche–, estávamos todos submersos no grande vazio que é a busca de sentido. Flusser, estrangeiro no mundo, apátrida por excelência, assistia a tudo, promovendo tudo. Mas entre o seu engajamento na cultura brasileira e o nosso destacar-se do pano de fundo habitual-nativo, uma sutil dialética se estabelecerá.
"Nós os migrantes, somos janelas através das quais os nativos podem ver o mundo".
Seria ele, para nós, esta janela?
"Mistério mais profundo que o da pátria geográfica é o que cerca o outro. A pátria do apátrida é o outro".
Seríamos nós, para ele, esta pátria? Nós, jovens daquela geração niilista, vivenciávamos a saga de uma época em que, após ter aplaudido o célebre protesto de estudantes na Europa, nada passava mais a ter significado. Os anos 60, se de um lado traziam marcas como a rebeldia dos Beatles, a revelação do sexo, e a partir daí, o culto ao amor livre do movimento hippie e a escalada social do bissexualismo; o fracasso da potência americana no Vietnã, onde a inteligência venceu as armas, num combate que utilizou cobras, abelhas e bambus; toda uma poesia desordenada e todo um desencanto às coisas e aos valores estabelecidos, por um lado, deixou farrapos de um derradeiro “romantismo”: desejo da mão jovem querendo reconstruir o mundo e impedida pelos velhos (como sempre foi); o olhar do mundo culto e politizado para o primeiro movimento de objetivos definidos na América, ao som do slogan “cubanos si, yankees no”; a resposta de uma “geração triste” que começava a se redimir pela música e a poesia (“Tropicália” e os “Novíssimos”, apenas para citar alguns). No campo da Filosofia, Sartre, Camus e demais existencialistas marcavam a juventude intelectual brasileira, embora a grande maioria não tivesse acesso a tudo isso. O escritor Jorge Medauar é quem diz: “O Brasil não tem linha filosófica definida porque não tem pensadores”. Nosso grupo, porém, era privilegiado: freqüentávamos a casa de Flusser. Lá se canalizavam os turbilhões, ventos e brisas do mundo filosófico, em tertúlias que se alongavam por sábados e domingos, e quantas vezes não éramos surpreendidos por Guimarães Rosa, Samson Flexor, Vicente Ferreira da Silva! Flusser foi se revelando professor, cercado por aqueles moços e moças, de modo doméstico e peripatético (embora sempre sentado em sua cadeira no jardim-de-inverno, nos fundos daquela casa, no Jardim América) envolto às fumaças de seu cachimbo inseparável. Não há como apagar os primeiros passos na filosofia ensinada, transmitida assim... Paideia construída pelo con-viver, em chão de concretude, por um “modelo” vivo de existência. Tudo isso plasmou as nossas mentes, interagindo hoje na circunstância em que vivemos. Caso clássico de influência poderosa de patriarca intelectual – não faltará quem o diga. Alguns, não suportando o peso de tamanha in-formação, hoje o renegam e se refugiam nos cantos matreiros do inconsciente, omitindo-se ao confronto. Não lembraria Flusser, em certo aspecto, a personalidade de Freud? Como ele – subversivo, judeu, emigrado – também não foi aceito pelo establishment acadêmico, criando afetos, desafetos e uma fieira de pupilos dolorosamente estigmatizados. Ao longo dos trinta e um anos em que viveu na circunstancialidade brasileira, Flusser desenvolveu seu modo de pensar com um vigor e originalidade que cunham um de seus traços inconfundíveis – o que lhe valeu imagem mitificada, e até certo ponto, desconcertante para certos eruditos, que, tantas vezes, com ele se digladiaram. Como Nietzsche, Kierkegaard e tantos outros, Flusser não se propôs a construir um sistema filosófico. Seu pensamento é um fluir generoso que se vai tecendo fora de velhas ou modernas malhas, dentro da urdidura fundante que é a linguagem – “morada do ser”, como a nomeia Heidegger. Seu mergulho nas correntes da Fenomenologia levou-o à Filosofia da Linguagem, seu campo predileto, ao qual dedicou vários ensaios, livros e cursos. Chegou até a criar uma coluna em jornal (“Posto Zero” na Folha de São Paulo, de 1969 a 1971), onde fazia uma espécie de análise fenomenológica do cotidiano brasileiro. Quando escreve, e o faz como quem respira o ar fresco das manhãs, Flusser traduz e retraduz o mesmo texto para as línguas que domina: alemão, inglês, português, francês.
"Sinto-me abrigado por, pelo menos, quatro línguas, e isto se reflete no meu trabalho, uma das razões pelas quais me interesso pelos fenômenos da comunicação humana. Reflito sobre os abismos que separam os homens e as pontes que atravessam tais abismos, porque flutuo, eu próprio, por cima deles. De modo que a transcendência das pátrias é minha vivência concreta, meu trabalho cotidiano e o tema das reflexões às quais me dedico".
Max Planck, em sua biografia, diz que para haver uma idéia original são necessárias duas condições: que o “criador” esteja livre e que morra toda uma geração, porque apenas a seguinte poderá compreendê-la. Os contemporâneos estão comprometidos e escravizados, por isso se assustam com o novo. Eis, numa palavra, o pecado de Flusser: pensar o novo e, para tanto, estar livre. Qualquer pessoa que entra em contato com suas idéias percebe o quão ligadas estão ligadas com o que acontece à sua volta. Não se pode delimitar as bases de seu pensamento, porque ele está constantemente correlacionado a fatos, não importa de que natureza. A aguda capacidade de observar o mundo e captar a atualidade, filtrando a ambos pelos conceitos clássicos e construindo os seus próprios conceitos, tornam Vilém Flusser o pensador para a época “pós-histórica” que atravessamos. É precisamente a consonância entre observação dos fatos e sua resultante reflexão que nos dá a sensação do verdadeiro. Mas, para que tal sensação conduza à verdade, o que ainda nos falta? Aqui transcrevo pergunta feita ao psicanalista Isaías Kirschbaum, que após driblar com mestria: la reponse est la mort de la question...(que analista, afinal, não tem necessariamente de ser filósofo...) assim respondeu: “Consenso é que dá cunho de verdade”. Daí, minha indagação: teria sido o meio cultural brasileiro – e o paulistano em particular – propício à formação de um consenso ao pensamento flusseriano, consenso que, por sua vez, teria de ser o fruto maduro de exercícios de crítica responsável e consciente por parte da comunidade pensante?
"Migrar é situação criativa, mas dolorosa. Toda uma literatura trata da relação entre criatividade e sofrimento. Quem abandona a pátria (por necessidade ou decisão, e as duas são dificilmente separáveis), sofre. Porque mil fios o ligam à pátria, e quando estes são amputados, é como se intervenção cirúrgica tenha sido operada. Quando fui expulso de Praga (ou quando tomei a decisão corajosa de fugir), vivenciei o colapso do universo. É que confundi o meu intimo com o espaço lá fora. Sofri as dores dos fios amputados. Mas depois, na Londres dos primeiros anos da guerra, e com a premonição do horror dos campos, comecei a me dar conta de que tais dores não eram as de operação cirúrgica, mas de parto. Dei-me conta de que os fios cortados me tinham alimentado, e que estava sendo projetado para a liberdade. Fui tomado pela vertigem da liberdade, a qual se manifesta pela inversão da pergunta “livre de quê” em “livre para fazer o quê”. E assim somos todos os migrantes: seres tomados de vertigem".
Sei que Vilém Flusser tem algo a nos dizer. Algo para nos inquietar. Sejamos livres para ouvi-lo. E exerçamos com liberdade o direito de pensar.
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2016.04.04 01:04 mateus_ln Contraponto: O PT merece ser defendido pela esquerda ?

RESUMO
A autora do texto compara episódio recente de violência durante protesto na PUC-SP com a chamada batalha da Maria Antônia, de 1968. A psicanalista analisa a repetição compulsiva, decorrente de trauma da ditadura, de atitudes tomadas pela esquerda. Para Parente, Dilma errou ao empregar um modelo de governo com o que há de mais retrógrado.
*
Uma das coisas escancaradas pela atual crise do país é que política é lugar de intensas cargas afetivas. Campo fértil para a psicanálise. O conflito ocorrido no dia 21 de março na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo pode ser uma boa alegoria para compreender tais afetos no interior do território psicanalítico. Espécie de "revival" de aspectos vividos na batalha da Maria Antônia em outubro de 1968, o episódio na PUC-SP aparece como palco de cenas que se cruzam e se distanciam no tempo e no espaço.
Foi em uma breve passagem de "O 18 de Brumário de Luís Bonaparte" que Marx corrigiu a sentença de Hegel, segundo a qual todos os grandes fatos e todos os grandes personagens da história são encenados no mínimo duas vezes. Segundo Marx, é verdade que a história se repete; no entanto, é preciso acrescentar algo decisivo a esse axioma: a primeira encenação da história é trágica, e a segunda, farsesca. O que ilustra tal pensamento é um diagnóstico em relação ao "ancien régime" alemão.
A cultura alemã, ao manter intacta a ordem de seu "ancien régime" muito depois da Revolução Francesa, representa um teatro que denota a mimese jocosa de um modelo há muito desmascarado. Enquanto o "ancien régime" francês viveu como verdadeiras a legitimidade de um poder monárquico e a tragédia de sua queda, os alemães interpretam a derrocada de seu império como algo inédito, mas as lamúrias, copiadas dos franceses, ecoam de forma pouco convincente. Os gritos revoltosos já não têm fervor e ressoam como manifestações amadoras de atores na hora do ensaio.
Considerando a afirmação feita por Marx, seria interessante perguntar aqui como os dois embates –PUC e Maria Antônia– foram vividos e, além disso, se estamos vivendo em 2016 uma paródia de 1964.
É Freud quem ensina a razão pela qual histórias se repetem. Em um jogo infantil do neto, ele observa uma espécie de escrita que esboça as dores da separação. Sempre que a criança via sua mãe se afastar, lançava um carretel e segurava a linha que dele se desenrolava, emitindo o som "óóóóóó". Freud deduziu ser esse gesto a tentativa de expressar a palavra "fooort" (lááááá), associada à saída da mãe que já não estava em seu campo de visão. Como o fato de a mãe se afastar provocava angústia, Freud tentava entender a razão pela qual o neto insistentemente repetia a dolorosa separação na brincadeira.
O trauma é uma inscrição psíquica destituída de qualquer tipo de forma linguística e que, por isso, opera apenas por repetição, numa compulsão inesgotável. É necessário que advenha alguma espécie de escrita, de narrativa para que o traço traumático, despido de linguagem, ganhe forma.
O jogo do carretel é bonito, pois mostra justamente as sutilezas da passagem desse estado de inglória repetição para outro, em que o sujeito ensaia sua liberdade e autonomia. Depois de repetir inúmeras vezes o gesto de lançar o carretel, o neto de Freud percebe que pode puxar o fio para que ele volte e emite o som "daaaa" (aqui). A lacuna deixada pelo objeto amado, que amiúde se afasta da criança, dá chance a ela de arriscar seus primeiros registros.
PASSADO SOTERRADO
Se transposta para o campo sócio-histórico, a lógica temporal da vida anímica é muito próxima daquela concebida por Walter Benjamin em suas teses de "Sobre o Conceito de História". Lá o filósofo alemão escreve: "A história é objeto de uma construção, cujo lugar não é formado pelo tempo homogêneo e vazio, mas por aquele saturado pelo tempo-de-agora ('Jetztzeit'). Assim, a antiga Roma era, para Robespierre, um passado carregado de tempo-de-agora, passado que ele fazia explodir do contínuo da história. A Revolução Francesa compreendia-se como uma Roma retomada".
A ideia não poderia ser mais clara: a repetição ocorre quando faíscas do passado soterrado podem ser identificadas nas malhas do presente. Nesse lampejo do passado sobreposto ao presente é que estaria contida a promessa da revolução. Tarefa do historiador materialista seria a de escovar a história a contrapelo, trazendo à luz o que havia sido oprimido pela versão narrativa dos vencedores da história.
É no interior desse quadro que valeria retomar a pergunta acerca de repetições e diferenças ocorridas nos dias atuais em relação a alguns aspectos dos anos de chumbo. Os traumas inscritos em 1964 e a violência arbitrária vivida no regime se mantiveram até bem pouco tempo calados, repetindo-se compulsiva e silenciosamente na violência da PM, nos modelos oligárquicos da politicagem, na tendência de resolver as coisas de forma autoritária, sem que houvessem debates públicos e decisões que partissem deles.
Em 2013 o MPL defendeu o passe livre e tornou possível, com esse significante e com sua luta, abrir as portas do recalque. Importante lembrar que, se o recalque é capaz de manter veladas as dores do trauma, também é ele que impede a cicatrização das velhas feridas e o ato de escrever novas histórias. Desfeito o nó do recalque, surgiram em 2013 várias tentativas de passar o recado de que queríamos a vida pública de outra forma. Ficou claro que não aceitaríamos mais o órgão institucional que traz para o presente vestígios da ditadura: a Polícia Militar.
Manifestações intensas e grandiosas, realmente cheias de promessas, pediam também por melhores serviços públicos e por mais igualdade social. Paralelamente a isso, tínhamos os resultados parciais da Comissão da Verdade sendo divulgados, até que em 2014 tivemos acesso aos documentos, além de alguns eventos que rememoravam o golpe por conta de seus 50 anos. Na campanha de 2014, João Santana intuiu o apelo dessa linha e fez de Dilma Rousseff a Coração Valente, justamente por ela ter enfrentado com coragem o período da ditadura.
CANSAÇO
Hoje, diante do arbítrio do juiz Sergio Moro, renasce um espírito de luta, de não rendição ao que foge das regras democráticas. Valeria a pena, porém, pensar se os símbolos do PT são aqueles que melhor representam a resistência à repetição traumática. Muitas vezes parece que grudar indiscriminadamente a esses símbolos exaltados pelo marketing é gesto também repetitivo de uma esquerda cansada que precisa se repensar.
Vale lembrar que em 2013 foi encontrado o que ficou conhecido como Relatório Figueiredo –7.000 páginas nas quais o terror do programa da ditadura em relação aos índios e terras preservadas fica absolutamente claro. Mais assustador é perceber como o programa do PT é exatamente o mesmo após todos esses anos –e não por simplesmente fechar os olhos para a questão indígena, mas principalmente por estimular setores da economia que são os mais condizentes com o horror.
A coragem que Dilma Rousseff tem apresentado é a de compor o governo com o que há de mais retrógrado na política. É cenário de zumbis que arrepia qualquer pessoa que se intitula "de esquerda". Pouco hábil para conversar com o que se apresentou de novo em 2013 e que tem mostrado força em pequenos eixos, a presidenta optou por se fechar em seu palácio enquanto o circo ia aos poucos pegando fogo.
Disso decorre a pergunta sobre os tempos e espaços que se cruzam. Devemos reconhecer que, com Jango, vivíamos o ano de 1964 marcado pelas questões dos trabalhadores e da reforma agrária, ao contrário de 2016 em que vemos um PT não só vendido para o terror, mas partícipe de tal política atrasada.
Se queremos de fato reescrever a história, é necessário também olhar para esse aspecto. Não basta escondermos as sombras do PT em todos os episódios em que uma ameaça da direita se coloca para o partido e ficarmos agarrados aos símbolos já esvaziados, sustentados apenas pelas estratégias de marketing. Também não estamos em momento próximo da instauração de um AI-5 para que alunos se vejam perseguidos. É certo que a PM é órgão a ser extinto –teríamos que perguntar, contudo, onde esteve a ousadia de um governo de esquerda para rever essa questão após infindáveis debates e manifestações contra esse órgão.
Onde esteve a Coração Valente para receber as demandas, costurá-las, reinventá-las, tentar colocá-las em prática? Ser o tempo todo vítima ressentida da direita é lugar pequeno, amedrontado, cômodo –a esquerda não pode estacionar aí. Atmosfera melancólica que perde oportunidades de escrever novos enredos justamente quando opta por pasteurizar os velhos modelos. Se queremos realmente sair da repetição compulsiva oriunda do trauma é necessário que olhemos com coragem também para isso.
Fonte: m.folha.uol.com.bilustrissima/2016/04/1756255-o-golpe-e-a-batalha-da-maria-antonia-revisitados.shtml?mobile
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